A verdade é que Portugal está até acima das médias europeias mas há quem defenda que tal só acontece porque foi instaurada a Lei da Paridade. Daí que a presença das mulheres na esfera política seja mais encarada como uma obrigatoriedade do que como um fenómeno natural.

Portugal está à frente de alguns congéneres, como Hungria, República Checa, França, Irlanda, Reino Unido ou Roménia. No topo, a rondar os 40% de presença feminina na política estão países como Bélgica, Suécia, Dinamarca, Finlândia, Holanda ou Espanha. “Em Portugal, como na Europa, a igualdade efectiva dos géneros, que abrange todos os aspectos da vida, avança lentamente”, sublinhou Liliana Rodrigues, fazendo alusão ao Índice de Igualdade de Género do Instituto Europeu para a Igualdade de Género, composto por seis domínios principais, nomeadamente trabalho, dinheiro, conhecimento, tempo, poder e saúde, e dois domínios satélite, a intersecção de desigualdades e a violência.

Publicidade
Publicidade

Segundo este índice, “a UE atinge um valor médio de 52.9 de 100 pontos possíveis, Portugal anda pelos 37.9.

Para Ana Gomes, se o nosso país está acima da média europeia no que diz respeito à representação parlamentar, a posição noutros órgãos de poder fica aquém. “Há um grande défice por exemplo quanto ao nível da presença de mulheres nos conselhos de administração das empresas e da banca e também nos órgãos do poder político em geral”, reforçou a eurodeputada.

Para Elza Pais, mais do que o número de mulheres na política, importa trabalhar mais noutro sentido. “Temos de percorrer urgentemente uma nova cultura organizacional na política, ou seja, a política tem de atrair para o seu exercício mais mulheres jovens para que lhes sejam dadas oportunidades de treino de competência idênticas aos jovens rapazes que iniciam estes percursos muito cedo”, afirmou.

Publicidade

Assim, mais do que ser encarada de uma forma quantitativa, a percepção do conceito de paridade na política deve ser uma questão qualitativa.

Importa, por isso, continuar a apostar em medidas eficazes de promoção da igualdade no processo político. Contudo, havendo políticas que agravam as desigualdades sociais, continuarão a persistir estas discrepâncias de género na política. Para Ilda Figueiredo, “é fundamental que haja uma redistribuição justa da riqueza para que todas as mulheres tenham acesso ao emprego com #Direitos, à educação, saúde, justiça, cultura e protecção social, sem discriminações, para que a promoção da igualdade de género tenha efeitos práticos na generalidade da população”. Só com melhores condições as mulheres poderão afirmar o seu valor numa sociedade ainda pouco habituada a ver o sexo feminino a desempenhar cargos políticos de elevada responsabilidade. #Eleições