Maria Luís Albuquerque vai exercer funções como administradora não-executiva da empresa britânica Arrow Global a partir do dia 7 de Março. O comunicado foi feito pela própria, na tarde de quinta-feira, dia 3 de Março, onde confirmou ter sido contratada pela empresa do grupo Arrow. Segundo a deputada da Assembleia, as funções que irá cumprir “são de natureza estritamente não executiva, isto é, sem participação nas decisões sobre negócios (...) em Portugal ou noutros países.”

A empresa Arrow Global dedica-se à angariação e recuperação de dívida pública e privada e à análise de risco, através da aquisição de activos detidos por sociedades financeiras, como bancos ou empresas.

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Após reabilitar esses activos, estes são postos à venda e negociados. Segundo o site oficial da empresa, o trabalho da Arrow Global é o de “encontrar planos de reembolso exequíveis” juntamente com os clientes, tendo em conta as circunstâncias de cada caso. Dentro da sua carteira de clientes incluem-se as portuguesas Banif, Millennium BCP, Montepio, Santander e Banco Popular. A empresa britânica gere, só em Portugal, 5,5 mil milhões de euros.

Jonathan Bloom, o presidente do conselho de administração da Arrow Global, sublinha a importância da deputada portuguesa na área da gestão de dívida e administração para a empresa. Considera, por isso, que o seu contributo na Arrow será uma mais-valia para a administração financeira da empresa e para “a sua expansão rumo a novos mercados geográficos e novos mercados de activos”.

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Deputada “em funções” 

Maria Luís Albuquerque cumpre funções na Assembleia da República como deputada pelo Partido Social Democrata (PSD) e vai iniciar funções na Arrow a partir da próxima segunda-feira. Entre os partidos da oposição fala-se da questão da incompatibilidade entre funções, mas a deputada nega qualquer tipo de impedimento e, por isso, não abandona o Parlamento. Nega também qualquer género de impossibilidade legal em exercer funções no âmbito da gestão financeira, área que tutelou no #Governo há cerca de três meses. Assume, por isso, que “qualquer leitura que possa ser feita desta nomeação só pode ser entendia como mero aproveitamento político-partidário”.

Segundo o código do regime jurídico de incompatibilidades e impedimentos dos titulares de cargos políticos e altos cargos públicos, está previsto que “os titulares (...) não podem exercer, pelo período de três anos contado da data de cessação das respectivas funções, cargos em empresas privadas que prossigam actividades no sector por eles directamente tutelado, desde que, no período do respectivo mandato, tenham sido objecto de operações de privatização ou tenham beneficiado de incentivos financeiros ou de sistemas de incentivos e benefícios fiscais de natureza contratual.”. #Legislação