O caso teve origem num comentário do então ministro da Cultura, João Soares, na quinta-feira, que escreveu esperar "ter a sorte" de poder dar "bofetadas" ao comentador Augusto M. Seabra e estendendo esse desejo ao também comentador Vasco Pulido Valente, depois de Augusto M. Seabra ter escrito um artigo que foi colocado no site do Público na quarta-feira, em que criticava os primeiros quatro meses de governação de João Soares como ministro da Cultura. Neste artigo, João Soares é descrito como um "derrotado nato" no que diz respeito às suas participações nas eleições autárquicas em Lisboa e em Sintra e para o cargo de secretário-geral do PS.

Um dia depois, e em resposta a este artigo de Seabra, João Soares relembrou um tempo mais antigo em que já sentia algum tipo de desagrado para com o comentador, referindo no post que colocou no seu Facebook: "Em 1999 prometi-lhe publicamente um par de bofetadas. Foi uma promessa que ainda não pude cumprir, não me cruzei com a personagem ao longo de todos estes anos (...) Estou a ver que tenho de o procurar, a ele e já agora ao Vasco Pulido Valente, para as salutares bofetadas". Após este comentário de João Soares muitas foram as opiniões negativas, tanto dos comentadores como dos vários partidos políticos e nem o pedido de desculpa por parte do ministro da Cultura serviu para apaziguar a tempestade já levantada. Foram postas em causa a dignidade política e a liberdade de expressão através de ameaças.

O assunto chegou mesmo a ter a opinião de um advogado, Rui Patrício que, sob um ponto de vista jurídico, descartou a hipótese de haver um crime de ameaça.

O PSD manifestou-se, considerando as declarações de João Soares como "inqualificáveis"; o CDS-PP considerou o comportamento do ministro da Cultura como "lamentável" e sublinhou a importância de um pedido de desculpas. O PS e o PCP optaram por não fazer comentários. O rebuliço foi tal que o ministro da Cultura formalizou um pedido de desculpas, descrevendo-se como uma pessoa pacífica e pedindo desculpa se tinha assustado os comentadores. Acabou por apresentar o seu pedido de demissão hoje (8 de abril), afirmando que o fez por "profunda solidariedade com o #Governo e o primeiro-ministro" e porque não aceita "prescindir do direito à expressão da opinião e palavra". #António Costa aceitou o pedido, afirmando que a decisão foi totalmente exclusiva de João Soares.

Não obstante, a intenção do PSD em chamar o agora ex-ministro da Cultura ao Parlamento manteve-se, mesmo depois da decisão de demissão deste e o partido envolveu António Costa no condicionamento à liberdade de expressão.

Vasco Pulido Valente e Augusto M. Seabra reagiram à demissão, afirmando que foi uma decisão correcta e inevitável. #Redes Sociais