A polémica em torno da contratação de António Domingues para a administração da Caixa Geral de Depósitos, bem como da sua demissão, vai ser alvo de inquérito parlamentar. PSD e CDS apresentaram, a 24 de fevereiro, um requerimento para a constituição imediata e obrigatória de uma nova comissão, pedido que já foi aceite pelo presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues.

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Para o líder parlamentar social-democrata, Luís Montenegro, “é essencial perceber os termos e condições em que o convite [a António Domingues] foi feito como é essencial perceber os termos e as razões invocadas para que a administração se tivesse demitido”.

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E Nuno Magalhães, líder do grupo parlamentar do CDS, sublinha que “não se trata de uma trica, nem de uma coscuvilhice saber se temos um #Governo e um Ministro das Finanças [Mário Centeno] que fala a verdade ao parlamento numa comissão de inquérito que tem poderes judiciais”. Luís Montenegro deixa um aviso: “E não nos vão silenciar independentemente de todos os estratagemas que possam utilizar”.

Direita quer investigar SMS

Os partidos da direita admitem também investigar as mensagens de telemóvel trocadas entre o ex-administrador da Caixa, António Domingues, e o Governo. De acordo com o deputado do PSD, “os SMS ajudarão muito e facilitarão muito a eficácia dos trabalhos da comissão de inquérito que agora é constituída”.

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E se há dúvidas que esta informação poderá estar vedada aos deputados por ser do foro privado, o deputado do CDS e também jurista Nuno Magalhães esclarece: “A contratação pública de uma pessoa para uma empresa pública não é matéria privada”.

PSD e CDS querem saber se o Executivo socialista dispensou António Domingues de declarar os rendimentos. A apresentação do documento foi depois considerada obrigatória pelo Tribunal Constitucional, o que poderá ter motivado a demissão do então administrador. É a dúvida que paira no ar e que o partido de #Pedro Passos Coelho e o de Assunção Cristas querem ver esclarecida. Para Luís Montenegro, “era bom que não fosse preciso interpelar o Primeiro-Ministro para responder às questões subjacentes a esta comissão parlamentar de inquérito”. E acrescenta: “Mas se formos forçados pelas circunstâncias não podemos excluir essa possibilidade”. Nuno Magalhães chama ainda a atenção que “foi Mário Centeno que disse que o Primeiro-Ministro sabia de tudo”.

Este novo inquérito é proposto depois de a maioria parlamentar de esquerda ter rejeitado investigar na atual comissão à Caixa Geral de Depósitos matérias relacionadas com a contratação e demissão de António Domingues. #Bancos