No passado dia 6 de Janeiro assinalou-se o primeiro aniversário do chamado "Tsunami da Foz" do Porto, quando uma onda de grandes dimensões invadiu a área entre a avenida D. Carlos I e a esplanada do castelo de S. João. A onda trazia violência suficiente para arrastar os automóveis à sua mercê, incluindo veículos pesados como autocarros. Quatro pessoas ficaram feridas e sucederam-se milhares de euros em danos materiais, tendo os intervenientes conservado uma memória da qual seguramente não se esquecerão. O "Tsunami da Foz" foi seguido de vários dias de intempérie marítima, tendo causado muitos estragos nas zonas litorais um pouco por toda a costa ocidental portuguesa.

O Blasting News entrevistou Fernando Barbosa e Vitória da Silva, um casal de septuagenários residente em Ermesinde e que se encontravam no local. O carro em que se seguiam foi arrastado pela onda e ficou no estado documentado pela imagem. Milagrosamente, ambos os passageiros saíram totalmente ilesos, quando seria relativamente simples saírem com hematomas e escoriações de mais difícil resolução, dada a violência considerável do embate. 

Vitória recorda que "não pensámos de forma alguma em ir ver ondas grandes, como mais tarde se disse, e como mais tarde vimos muitas pessoas fazer, nos dias seguintes, uma vez que o mau tempo continuou. Se soubéssemos que havia alguma hipótese de isto acontecer, nem pensar em ir até à Foz. Estávamos apenas a dar um passeio, como fazemos quando nos apetece." Embora saindo ilesa, para Vitória o pior foi mesmo o susto. "Quando vi a água a avançar e depois o carro a dançar sem controlo, nem sei o que pensei. Foi uma coisa de fim do mundo. Felizmente não nos magoámos, mas logo soubemos que havia feridos".

E quanto ao carro? O automóvel contou com a intervenção de Miguel Barbosa, filho do casal, que empregou as suas quase três décadas de experiência no sector automóvel na resolução do problema. "Várias vezes pensei que mais valia mandar o carro para a sucata, mas no fim lá arranjámos uma forma razoável de o pôr a andar novamente", refere. Quanto ao seguro, tratando-se de uma situação considerada como desastre natural, nada haveria a receber. 

Fernando recorda ainda o desleixo das autoridades nesta questão. "Se havia um aviso para ondulação, poderiam ter fechado a Foz para esse dia. Nós estávamos apenas a circular normalmente, não pensámos que tal pudesse acontecer, e tivemos de suportar o prejuízo." Fernando e Vitória esperam que, em situações futuras, as autoridades possam reagir atempadamente e limitar a circulação nesta zona da cidade. "Enviei cartas à capitania do porto e a várias entidades, mas ninguém se mostrou interessado em assumir responsabilidades."