Foram quase dez anos que esteve fechado para obras. Contudo, o antigo palácio do conde do Bolhão reabriu na passada sexta-feira como sede da Academia Contemporânea do Espectáculo/Teatro do Bolhão. Este belo edifício, que estava em degradação, teve uma longa história, desde angariação de fundos nas redes sociais, entre outras aventuras para que a sua reconstrução fosse possível.

Uma das aventuras da reconstrução deste teatro é a do actor António Capelo, o director da companhia de Teatro do Bolhão, que durante uma viagem de comboio entre Porto e Lisboa, convenceu o companheiro de viagem (que não conhecia de lado nenhum), a fazer uma generosa doação para as obras do espaço. O que foi essa doação? Uns generosos 700 metros quadrados de soalho para o novo auditório de 140 lugares construído nas traseiras do palacete.

Outra aventura foi a criação da campanha 'Degrau a Degrau', que António Capelo lançou na sua própria página do Facebook, solicitando a ajuda de todas as pessoas para a colaboração e financiamento que permitissem terminar o restauro da escadaria principal. A doação poderia ser de apenas um euro, mas com dez euros, a pessoa já podia ter o seu nome na escada. Com cem euros compravam um ano de livre acesso aos espectáculos, e com 500 euros compravam o seu próprio degrau na escadaria.

Os responsáveis pela Academia Contemporânea do Espectáculo já sonhavam com esta reconstrução há mais de uma dúzia de anos, um sonho que implicou não só que a câmara comprasse o edifício, mas também enfrentar todo o tipo de dificuldades, como a falta de financiamento para as obras. Apesar da obra principal ter sido paga por fundos europeus e pelas autarquias, o restauro de cada uma das salas principais, foram financiado por mecenas.

Toda a recuperação do edifício ficou a cargo do arquitecto José Gigante, que trabalhou juntamente com os responsáveis da escola de modo a conseguirem o resultado hoje exibido no centro do Porto.

O Edifício situado no centro do Porto, está ainda adaptado para ser uma escola e uma companhia de teatro. As obras de reconstrução custaram cerca de 2.8 milhões de euros, o que pode não ser considerado um valor exagerado se analisarmos o tamanho do palacete e a quantidade de salas que o mesmo tem disponível.