A Câmara do Porto vai, mais uma vez, tentar vender a Casa Manoel de Oliveira, projectada para ser residência e museu do realizador que morreu no início deste mês. O edifício concluído há 12 anos, na Foz, tem arquitectura de Eduardo de Souto Moura e nunca foi utilizado. O preço global de venda é superior a 1,5 milhões de euros e no ano passado não surgiu nenhum comprador interessado.

Um ano depois, a venda é novamente anunciada pela autarquia presidida por Rui Moreira, e a data de venda está marcada para 7 de Maio. Na ocasião, o presidente da Câmara entendeu que fazia sentido alienar o edifício uma vez que nunca chegou a ser utilizado. Além disso, a Fundação Serralves tem em vista a criação de uma Casa do #Cinema Manoel de Oliveira no seu espaço, mediante projecto do arquitecto Álvaro Siza.

A Casa em venda apresenta, há vários anos, sinais de vandalismo nas paredes exteriores e até em alguns espaços interiores. A ideia era expor a vida e obra do cineasta que morreu com 106 anos de idade, mas nunca se concretizou. Aliás, a história daquela casa dava um filme. O braço de ferro entre o realizador e a autarquia ajudou para que as coisas não se resolvessem. Manoel de Oliveira queria ter uma palavra sobre a nomeação do responsável que iria dirigir os destinos da casa, e que a mesma contemplasse uma sala de projecção de cinema. O cineasta acabaria por concluir que o edifício não correspondia ao que seu desejo.

A Casa foi mandada construir pelo executivo municipal socialista e quando deixaram o poder local para a maioria PSD/CDS-PP não tinham firmado o protocolo com o realizador. Rui Rio nunca chegou a acordo com Manoel de Oliveira e este resolveu optar pela criação de uma fundação.As opiniões também se dividiram quanto à importância daquela Casa do Cinema Manoel de Oliveira, que se degradou sem ver as suas portas abertas e disponibilizada ao público.

A Câmara Municipal está convicta que agora será de vez e que até dia 7 de Maio surgirá uma proposta de aquisição das duas fracções. A fracção A, de edificação cultural, com 160 metros quadrados e uma área descoberta de 1.800 metros quadrados, com valor base de pouco mais de 1 milhão de euros, e a fracção B, equipamento habitacional, com 98 metros quadrados de área coberta e 152 metros quadrados de área descoberta, com o valor base de quase 569 mil euros.