"MIMA-FATÁXA" estreou ontem, às 21:00h, no Teatro Carlos Alberto, no Porto, e permanece em cena até domingo, dia 24. A peça é uma criação de João Sousa Cardoso, concebida a partir de 3 textos de Almada Negreiros, e introduz o confronto entre as ideias modernistas e o presente. Os textos escolhidos, nomeadamente "Os Ingleses Fumam Cachimbo" (1919), "MIMA-FATÁXA" (1916) e "A Cena do Ódio" (1915), serão interpretados pelo actor Ricardo Bueno e pela cantora Ana Deus, a quem se juntam 25 participantes locais em regime voluntário.

João Sousa Cardoso tem vindo a apresentar diversas criações reveladoras de um espírito inconformista e desafiador, onde pretende questionar o lugar da arte, assim como os seus meios e fins. Depois da apresentação de "Verão e Fumo" no Teatro Municipal Campo Alegre, surgiu a necessidade de um reencontro e de uma reinterpretação de "MIMA-FATÁXA" por João Sousa Cardoso. A peça foi criada em 2014 e passou por locais como Lisboa, Guimarães, Viseu, Torres Novas, Guarda, e Porto, onde regressa agora.

O trabalho do artista João Sousa Cardoso tem sido caracterizado pela ruptura com o teatro convencional e pelo afastamento a diversos cânones pré-existentes na arte. Tratam-se de produções híbridas, que cruzam a experiência teatral com a cinematográfica, que vão desde o diálogo informal entre actores à leitura de textos e à representação, e por onde passam actores profissionais e amadores, numa constante vertigem contra o tempo. A realidade é apresentada despida, é exposta com as suas imperfeições, muitas vezes, em forma de ensaio permanente e inacabado. A exploração de ambientes intimistas, com cenários simples, mas simbólicos, o tom neutro, a crueza dos elementos, são particularidades próprias das criações de João Sousa Cardoso.

Um dos objectivos é desfazer as fronteiras entre áreas artísticas, apostando na multidisciplinaridade (atributo próprio de Almada Negreiros), outro, é privilegiar o contacto com o público e fomentar a sua liberdade na qualidade de espectador/actor e enquanto agente activo na criação teatral. Tudo se movimenta dialeticamente, numa sucessiva experimentação, para se criar uma obra individual "numa respiração conjunta".

As apresentações estão marcadas para as 21:00h de sexta, dia 22, e sábado, 23, e terminam no domingo às 16:00h. Os bilhetes têm o custo de 10 euros. #Artes