Não só as livrarias mas também os alfarrabistas optam por uma política de fachada para divulgar o negócio dos #Livros, 'vendendo' os espaços tradicionais centenários como imagem de marca. Damos o exemplo da Livraria Lello (1906) que passou a cobrar a entrada (3€-10€) dedutível na compra de livros ou outros artigos. Os clientes habituais dispõem de um cartão de livre acesso. Não se trata tanto de um golpe de marketing, mas de uma medida justa com vista à proteção e preservação do espaço que, em breve, sofrerá obras de manutenção.

Neste âmbito, condicionam-se as visitas que chegam a quase duas mil por dia, tendo na Páscoa batido o recorde de cinco mil num só dia. Parece que há mais interesse em ver do que em ler e há que seguir a tendência turística, obrigando os visitantes a olhar os livros para comprarem e não apenas captarem fotos. A fila passou para o outro lado da rua e é mais controlada.

Segundo consta, a livraria histórica inspirou J.K. Rowling, enquanto escrevia Harry Potter e ensinava Inglês no Porto onde viveu. Muitos procuram a Lello por este motivo e há mesmo quem visite o Porto só para a conhecer de perto. O reconhecimento internacional foi consolidado pela imprensa. Em 2008, foi agraciada pelo jornal The Guardian com o título de terceira mais bela do mundo. A mesma classificação foi atribuída pelo Lonely Planet no seu guia Lonely Planet's Best in Travel 2011. Recentemente, a Time considerou-a entre as 15 mais cool do mundo.

Mas não faltam livrarias e alfarrabistas no Porto, em especial no centro, considerando a zona da Lello, junto à Reitoria da Universidade do Porto, e até à rua dos Mártires da Liberdade, onde fica a Livraria Académica (1912) com livros antigos raros que distinguem boas encadernações. Esta zona livreira pode considerar-se dentro de um retângulo imaginário que desce, depois, à rua do Almada, e sobe de novo até à Lello, situada na rua das Carmelitas, hoje a zona da cidade mais na moda.

Junto ao Teatro Carlos Alberto, e antes da Livraria Académica (quem vem da Lello), recomendamos a Poetria (2003) com poesia portuguesa e estrangeira. Já antes, na praça Carlos Alberto, encontramos o Palacete Viscondes de Balsemão ligado à rua de Cedofeita que, por sua vez, se conecta com a rua de Miguel Bombarda onde estão as livrarias infantojuvenis Index (CCB) e Papa-Livros que promovem workshops e outros eventos literários, para os mais novos, há uma dezena de anos.

O retângulo imaginário prolonga as linhas de alcance não apenas a Cedofeita, mas até à Alfândega da Ribeira onde se situa o Armazém com série de espaços inovadores, entre eles a R&B (2015) com livros raros a preços consideráveis. Estes, são consignados pela Esquina (1972), a ilustre livraria alfarrabista da rua Afonso Lopes Vieira (ao Foco).

Para aí chegar, convém passar pela rua das Flores onde aconselhamos uma visita às livrarias alfarrabistas João Soares (1997), decorada com amontoado de livros, e Chaminé da Mota (1888), uma referência na cidade. Esta última, de todas a mais antiga, é um autêntico museu não só de publicações, mas de peças inusitadas que se distribuem por quatro pisos. O mais fantástico é tudo estar catalogado, bem organizado e separado por temas, autores e países.

Cabe-nos acrescentar que a livraria mais antiga do mundo é portuguesa, não sendo do Porto, mas do Chiado em Lisboa: a livraria Bertrand de portas abertas desde 1732 que obteve já o atestado certificado pelo Guinness Book of World Records. #Turismo #História