Delineou um plano com tudo para dar certo, mas não acabou da melhor forma. O rapaz, de 26 anos de idade, trabalhador da construção civil em Vila Nova de Gaia, passou uma noite na boémia com várias mulheres. Temendo a reacção da entidade patronal, traçou um cenário de rapto e sequestro. Uma mensagem de telemóvel enviada a um colega desencadeou uma vasta operação policial que culminou na descoberta da verdade. Agora foi constituído arguido e enfrenta um processo no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP).

Os factos remontam ao início do corrente mês de Agosto e foram tornados públicos ontem, dia 21, através de um comunicado à imprensa emitido pela Polícia Judiciária. Conta aquela #Polícia de investigação criminal que os elementos e informações fornecidos pelo rapaz revelaram-se “verosímeis e merecedores” de uma imediata intervenção das autoridades. Em causa estaria um alegado #Crime de sequestro com a vítima amarrada de “pés e mãos a uma árvore” junto ao rio Douro. A acção policial envolveu um vasto número de operacionais tanto da Directoria do Norte da Polícia Judiciária como da Polícia Marítima, que acabaram por localizar o rapaz num local com acesso “extremamente difícil”, só possível pelo próprio rio em período de maré baixa.

A noite de 7 para 8 de Agosto terá sido de muitos excessos para o jovem de 26 anos. Passou-a em bares na companhia de várias mulheres, mas depois temeu pela reacção da entidade patronal e encenou um plano para faltar ao trabalho. Apesar da noite mal dormida, a imaginação não lhe faltou para criar um álibi que enganasse os patrões e não só.

Escolheu uma rocha de acesso difícil na margem das águas do Douro, para onde se dirigiu pelo próprio pé aproveitando a maré vazia. Contou aos inspectores a mesma versão que transmitiu ao colega a quem enviou uma mensagem por telemóvel. Ou seja, que os alegados raptores o tinham deixado naquele sítio ermo, amarrado nos pés e nas mãos, embora tenha conseguido utilizar o telemóvel. Isto porque, como não sabia nadar, e ao ver o nível das águas a subir, teve de pedir por ajuda para escapar. A Polícia Judiciária constituiu-o arguido e encaminhou o processo para o Ministério Público, podendo ser acusado da prática de um crime de sequestro.