Convenhamos que Álvaro Leite Siza Vieira é um arquitecto arrojado, sensível ao mundo dos afectos que passa a maqueta e a papel a sensualidade e o extremo movimento que lhe são característicos. Contudo, a sua obra é mais alargada do que os traçados orgânicos e figurativos, corpos que encena num palco de vida com a respectiva ironia, gozo, sentimento. Os desenhos são o princípio de tudo. Novos personagens com ou sem cor, em materiais quentes e frios que privilegia consoante a emoção e situação. Nas peças arquitectónicas predominam o betão armado e os acrílicos. "Depende da obra e da circunstância", como o próprio diz à Blasting News.

Desta vez, a arquitectura ganha o corpo de uma instalação geométrica de luz, algo inspirada nos desenhos (1973-2012) compilados num primeiro livro lançado recentemente. O título do texto de Bernardo Pinto de Almeida, "O corpo como arquitectura", dá o nome a esta peça e exposição que inaugura sexta-feira (30 de Outubro), pelas 21 horas, na Galeria de Arte Rui Alberto, em frente aos jardins do antigo Palácio de Cristal, no Porto. Uma exposição patente ao público até Dezembro. Veja algumas imagens na galeria de fotos.

O livro bilingue (Português-Inglês) pode ser adquirido neste espaço, bem como alguns desenhos, sendo que já decorreu este ano, na Casa Fez, uma pré-exposição da série de desenhos e pré-lançamento do livro.

O corpo da instalação cria impacto com esqueleto de madeira, tendões de nylonpopeline inglesa como uma pele. Lembra um arlequim serpenteante, dragão de fogo iluminado por baixo e deixado flutuar pelo espaço físico da galeria. Como se enchesse dos humores e vivências que por ela passam e se registam num único traço de lápis no papel ou de tela (no caso) que se transforma no plano tridimensional com volume exagerado, extravasando a sala de #Exposições.

O túnel de luz insere-se ainda como um caminho pela esperança, carregado de energia de quem por ele passa ou nele repara. Assim é a obra do artista na sua plenitude, que abraça todas e quaisquer formas de arte por ser um só o todo da matéria. Sátira figurativa, grito de libertação, como classifica a própria obra.

Segundo a interpretação de Bernardo Pinto de Almeida, publicada no livro de desenhos do arquitecto, os corpos na obra de Álvaro Leite Siza Vieira aparecem com uma significação precisa que é a de testemunhar a existência de uma primeira e determinante experiência do mundo e de tudo o que o povoa que tem sempre de passar pelo corpo e, também, a noção tornada cada vez mais nítida de que todas as demais compreensões e apreensões que nos formam enquanto sujeitos, isto é, que determinam a nossa subjectividade singular, deverão inevitavelmente decorrer desta. Há um conhecimento do mundo, do espaço e dos outros, que passa, inevitavelmente, pelo nosso próprio corpo. Ou seja, o crítico defende que tudo demarca a nossa subjectividade singular e que há um conhecimento do mundo, do espaço e dos outros que passa, inevitavelmente, pelo nosso próprio corpo.  #Personalidades #Artes