As Correntes d'Escritas têm tido "casa cheia" nos últimos anos. Desde o Casino da Póvoa até ao Cine-Teatro Garrett, o evento dedicado à #Literatura tem percorrido, ao longo dos anos, várias salas e locais na Póvoa de Varzim, com uma forte adesão do público e dos escritores convidados. A 17ª edição começa a 23 de fevereiro e apesar de querer manter a qualidade das edições passadas, as novidades não ficam à porta: são abraçadas e necessárias.

Se no ano de 2000 o evento começou pequenino e com poucos escritores convidados, hoje conta com 75 escritores na sua programação. Portugal não é o único país representado; cerca de 11 países juntam-se à família das Correntes, como carinhosamente o evento é apelidado. Na receita do sucesso, Luís Diamantino, vereador da Cultura da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, acredita não existirem quaisquer segredos. No entanto, os números estão à vista: dos 500 lugares sentados no Cine-Teatro Garrett, um dos locais do evento, todos ficaram ocupados no ano passado. “Há muitas pessoas que se sentaram no chão e na escadaria”, reconhece o vereador.

Para um amante de literatura, as Correntes d’Escritas tornam-se o sítio ideal para conversar com o escritor preferido, já que não existem barreiras para pedir um autógrafo ou discutir ideias e opiniões. As “mesas” incluídas na programação, onde seis escritores se reúnem e refletem sobre um determinado tema, não ficam restritas aos “profissionais”. O público é convidado a participar e a acrescentar algo à reflexão. “Nas Correntes d’Escritas tratam-se todos por tu, não há vedetas”, salienta Luís Diamantino.

Os destaques na edição deste ano podem contar com a conferência de abertura do poeta José Tolentino Mendonça, a revista Correntes d’Escritas dedicada a António Lobo Antunes e uma “mesa” intitulada “Não me interpretem mal” com a presença de Carlos Vaz Marques, João Miguel Tavares, Pedro Mexia e Ricardo Araújo Pereira, as vozes e caras do programa “Governo Sombra” na TSF e TVI24. Os nomes importantes na literatura nacional e internacional também estão presentes: desde a estreia de Manuel Alegre até escritores mais recorrentes no evento como o chileno Luis Sepúlveda, o português Valter Hugo Mãe e o cubano Leonardo Padura.

A literatura não fica restrita às quatro paredes de uma sala. A apresentação do Dicionário de Eça de Queiroz de Alfredo Campos Matos será a 23 de fevereiro na Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, reaberta há cerca de dois meses pela autarquia. Já a poesia será declamada no Mercado David Alves e num autocarro da cidade.

A cidade-berço de Eça de Queirós, adotada por tantos outros escritores por Camilo Castelo Branco e Luísa Dacosta como sua, regressa com a 17ª edição das Correntes d’Escritas. A importância cultural do evento é para Luís Diamantino, a prova de que a Póvoa de Varzim não se faz apenas de “sol e mar”: o imaginário dos livros acontece em Portugal e no Norte. Todas as atividades da programação são de entrada livre. #Livros #Autarquias