O tempo necessário para cada tipo de cuidado de saúde, prestado pelos enfermeiros portuguesas, está agora tabelado e vai servir para calcular o número de enfermeiros em falta nos centros de saúde e nos hospitais públicos e privados. Quinze minutos para vacinar e trinta minutos para dar uma consulta são alguns dos limites estabelecidos na tabela, agora publicada em Diário da República. Com a enorme falta de enfermeiros que o país apresenta, a nova lei pretende garantir que existe o número suficiente de enfermeiros para os próximos anos.

Feita uma estimativa, em cada hospital ou centro de saúde no país, o tempo que demorar a vacinar um doente ou a realizar uma consulta irá determinar quantos profissionais serão contratados. Quem não cumprir com as novas regras, será sancionado disciplinarmente e puderá ter que responder em tribunal. Tanto enfermeiros, como administrativos, todos estão no mesmo barco. "Os enfermeiros-chefe dos serviços têm de comunicar à ordem quando estas dotações não forem cumpridas, se não o fizerem, poderão ser responsabilizados", afirmou o bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Germano Couto.

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, reconheceu há poucos dias a escassez de enfermeiros em todo o país, prevendo a necessidade de contratar mais mil profissionais para 2015, para além dos mil contratados deste ano. "Só este ano, em vinte serviços, faltavam trezentos enfermeiros, o que agrava o risco de erros, a qualidade de serviço e poderá colocar vidas em risco", ressalvou Germano Couto.

A não progressão na carreira, o aumento para quarenta horas semanais, a falta de enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde ou a sobrecarga de trabalho que se verifica, foram alguns dos motivos para as múltiplas greves que, este ano, se verificaram por parte dos profissionais de saúde, tendo a última sido amplamente noticiada por todos os órgãos de comunicação social, pois coincidiu com o enorme alarido que causou o surto de legionella, no mês passado. Os enfermeiros, com base em números da OCDE, exigem a contratação de mais 25 mil enfermeiros, para que todos os serviços possam responder com a devida qualidade e rapidez. Uma das mais importantes profissões não tendo sido devidamente respeitada, afirmam.