Uma pesquisa realizada pela University Institute London College of Education (OIE) e pela Sociedade Britânica de Psicologia verificou que, ao contrário do que referem as directrizes médicas, têm sido prescritos medicamentos a um número "alarmante" de crianças em idade pré-escolar. Apesar de o National Institute for Health and Clinical Excellence (Nice) recomendar a intervenção psicológica em primeiro lugar, os profissionais de saúde alegam não ter tempo para realizar as intervenções, devido à sobrecarga de trabalho e ao facto de terem uma equipa bastante reduzida nos serviços de saúde mental de crianças e adolescentes.

Segundo os resultados do estudo - que será publicado em 2015 -, a medicação tem sido a principal solução utilizada para tratar a perturbação de hiperactividade e défice de atenção (PHDA) em crianças de idade pré-escolar, quando as recomendações de saúde aconselham que o recurso a medicamentos deva ser usado apenas a partir dos seis anos. Ao que a pesquisa apurou, entre os fármacos mais utilizados está a Ritalina, conhecida como a "droga da obediência" - o medicamento mais utilizado para tratar a PHDA, que funciona como um estimulante do sistema nervoso central e aumenta a concentração.

O estudo, que teve como objectivo investigar o modo como os fármacos são utilizados nos comportamentos das crianças, verificou ainda uma "intolerância da diferença" por parte dos profissionais de saúde mental. Crianças que não estejam em conformidade com a norma acabam por ser diagnosticadas de forma errada como tendo algum problema. Esta visão, refere a pesquisa, tem afectado a maneira como a sociedade lida com a aprendizagem ou com os problemas das crianças, contribuindo para uma cultura da patologização.

A directora do OIE, Vivian Hill, referiu ser "muito preocupante" que crianças tão jovens estejam a ser medicadas, muitas vezes sem terem acesso a "tratamentos alternativos". Embora admita que trabalhar com uma criança ou jovem juntamente com a sua família ao longo do tempo seja mais dispendioso, a porta-voz do OIE descreve esta prática como "muito mais segura", podendo ter "resultados muito melhores". Tal como refere Hill, "a medicação tem um impacto de curto prazo".

Neste estudo verificou-se ainda que os factores ambientais são desvalorizados, olhando para o problema como algo inerente à criança. Este aspecto resulta de muitas famílias e escolas desejarem "abdicar da responsabilidade face ao comportamento das crianças". Tal como referiu um dos psicólogos participantes, "é uma explicação fácil, conveniente e reconfortante, que absolve todas as pessoas de culpa".

Este estudo contou com a participação de 136 psicólogos educacionais pertencentes ao Reino Unido, que partilharam as suas opiniões sobre a avaliação, diagnóstico e tratamento da PHDA. O relatório concluiu que os psicólogos educacionais devem estar envolvidos no desenvolvimento de uma compreensão mais ampla da perturbação de hiperactividade e recomendou a criação de uma abordagem multidisciplinar para a sua avaliação e tratamento. #Educação