Cientistas do Robert Koch Institute, em Berlim, sugerem que o surto de Ébola registado ao longo deste ano poderá ter tido origem numa espécie de morcegos na Guiné-Conacri. Apesar de não estar confirmada a 100%, os investigadores consideram que a teoria, divulgada hoje no EMBO Molecular Medicine, é sólida. As conclusões apontam assim para um animal que ainda não tinha sido associado à transmissão do vírus. Tal como refere o estudo liderado por Fabian Leendertz, o surto de Ébola terá começado assim que uma criança oriunda de Méliandou, uma aldeia remota na Guiné-Conacri, foi infectada por uma pequena espécie de morcego - conhecida cientificamente como mops condylurus. Os autores do estudo referem que as crianças do local tinham contacto frequente com os morcegos sem cauda que habitavam numa árvore oca, a ponto de os capturarem e utilizarem como alimento.

O estudo salienta que o Ébola é um vírus capaz de alojar-se em animais sem, todavia, os infectar - são os designados reservatórios. O risco para os seres humanos surge, porém, quando estes estabelecem contacto com seres vivos que transportem o vírus e tenham sido infectados por ele, tal como é o caso conhecido de uma outra espécie de morcego africano - o epomophorus wahlbergi - que também é utilizado como alimento.

O que se desconhecia, no entanto, é o facto de o morcego sem cauda poder também constituir um possível reservatório para o vírus do Ébola. Esta foi a conclusão a que a equipa chefiada por Fabian Leendertz chegou, depois de realizar testes em laboratório nesta espécie de morcego. Apesar de comprovada essa possibilidade, nenhum dos exemplares capturados pela equipa continha vestígios daquele vírus no sangue.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, já foram contabilizadas 7.800 mortes devido ao Ébola, num total de casos que já excede os 20 mil, desde o arranque do que é considerado o maior surto de sempre do vírus. Recorde-se que este pode ser transmitido aos seres humanos pelo contacto com fluídos corporais. #Ébola