Segundo o relatório "Portugal- Doenças Respiratórias em Números- 2014", lançado pela Direcção- Geral de Saúde (DGS), no ano de 2012, registaram-se no nosso país, aproximadamente, cinquenta mortes resultantes de pneumonia, por cada cem mil habitantes. Os idosos são o grupo mais afectado, tal como o principal alvo e o mais sensível aos vírus da gripe sazonal, conclui o relatório divulgado esta terça-feira em Lisboa. Os responsáveis da DGS revelaram que a taxa de mortalidade por pneumonia verificada em Portugal corresponde ao dobro da média europeia e reconhecem a necessidade de estudar os motivos que sustentam a situação nacional. Sem tirar grandes conclusões, afirmam que este é o resultado da crise económica, da falta de qualidade de serviço e de um grande índice de envelhecimento que se verifica actualmente em Portugal. Mas, esta situação deve-se também às condições climatéricas e à virulência da gripe sazonal, que foi especialmente elevada entre janeiro e março.

De acordo com o relatório, a taxa bruta de mortalidade por doenças respiratórias foi de 120,5 em cada 100 mil habitantes entre os 65 e os 74 anos, e de 1991 por 100 mil com idade igual ou superior a 75 anos. Para estes números contribuíram, na sua maioria, as mortes por pneumonia, mas também outras doenças respiratórias, tais como infecções e bronquites, que afectam, essencialmente, a população idosa.

No final da apresentação do relatório, os responsáveis da DGS deixaram algumas recomendações, com vista à reversão desta complicada situação. "Mais controlo dos factores de risco, como os poluentes do ar, em particular o tabagismo; maior acessibilidade a consultas e tratamentos de cessação tabágica; o aumento da taxa de cobertura para a vacinação da gripe, especialmente para os idosos; comparticipação na aquisição de câmaras expansoras para melhorar o tratamento da asma e da doença pulmonar obstrutiva crónica; e maior acessibilidade nos cuidados de saúde primários", aconselha a DGS, dando o mote para uma realidade que se quer diferente.