A legionella é sem dúvida um dos maiores surtos dos últimos anos em Portugal. Foi detetado na zona de Vila Franca de Xira (tendo as freguesias como Vialonga, Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa sido também foco de incidência). Agora será importante fazer um resumo dos acontecimentos desde a sua aparição.

Como surgiu

Trata-se de uma bactéria que habita em ambientes aquáticos, podendo também ser encontrada em outros locais que tenham águas paradas, como sistemas artificiais de abastecimento, na rede de distribuição de água e sistemas do ar condicionado. Sendo a maior parte dos casos causados por legionella pneumophila, outras espécies são conhecidas como febre de pontiac (menos graves, como uma gripe aguda).

O período de incubação da legionella será de 7 a 10 dias, mas por vezes os sintomas são confundidos com os de uma pneumonia.
Assim, e em 07 de Novembro, tendo o Hospital de Vila Franca de Xira recebido, em 24 horas, 27 pacientes, as autoridades portuguesas foram alertadas para um número acima do vulgar de doentes infetados. O plano de contingência para fazer face ao surto foi acionado através de um comunicado do Ministro da Saúde em 8 de novembro.

Como se transmitiu

Sendo uma bactéria com origem num espaço público, a sua transmissão ocorreu através da inalação de aerossóis na zona em questão.

Como se controlou

As medidas preventivas incluíram, entre outras, a 9 de Novembro o encerramento de áreas públicas como piscinas, pavilhões gimnodesportivos, com proibição das atividades físicas e desportivas em escolas e associações da zona.

No dia 21 de novembro foi efetuado um comunicado conjunto (DGS, INS Ricardo Jorge e ARSLVT) sobre a situação, recursos envolvidos, capacidade de resposta e medidas preventivas, não tendo ainda sido identificado a origem devido ao decurso das investigações.

Qual o foco de origem

Estabelecida a relação entre as bactérias colhidas nos doentes e nas torres de refrigeração da Empresa ADP Fertitilizantes, a empresa foi fechada em 14 de novembro. Com a produção parada ficou estabelecido que os procedimentos de limpeza e desinfestação tinham que ser realizados.
O surto foi dado como controlado pelas autoridades portuguesas.

Dados apurados até à data

Quase um mês depois: mais de 330 pessoas infetadas e 11 óbitos, tendo o último ocorrido no passado dia 4 de novembro.
Foram realizados pedidos de indemnização por parte de alguns pacientes, porém a espera pode ser longa devido à não entrada em vigor do fundo de garantia para empresas de risco. Através de fonte noticiosa, sabemos que, foram remetidos para o Ministério Público, os relatórios elaborados pelas autoridades da Saúde, no que diz respeito a um eventual apuramento de crime ambiental com origem na água de uma das torres de refrigeração da empresa ADP Fertilizantes.

O que se pretende fazer

O presidente da Câmara de Vila Franca de Xira irá solicitar à Assembleia da República a alteração da lei que fiscaliza as empresas.