Se escrever "sumos" no motor de busca do Google, os primeiros resultados oferecem-lhe uma panóplia de opções de "sumos detox". Este ano, os batidos de frutas e vegetais foram apregoados pelos gurus das dietas e até por celebridades como forma de auxiliar o corpo a eliminar toxinas e a conseguir doses saudáveis de vitaminas e minerais que de outra forma não conseguiria. A indústria farmacêutica seguiu de perto as tendências e aumentou a oferta de produtos que prometem livrar o corpo dos excessos conscientes e inconscientes motivados pelo ritmo frenético da vida moderna. Mas poderá tudo isto não passar de um mito?

O especialista britânico Edzard Ernst não só diz que sim como o considera "escandaloso". Em entrevista ao jornal The Guardian, o professor da Universidade de Exeter vai mais além: "É uma exploração criminosa do homem crédulo e simboliza aquilo que todos gostaríamos de ter - um remédio simples que nos livra dos nossos pecados, por assim dizer. É bom pensar que tal poderia existir, mas infelizmente não existe".

Por falar em pecados, a religião pode ter a sua quota-parte de culpas no cartório através de termos como expurgação, mas a desintoxicação como a conhecemos hoje terá começado nos anos 70, quando os primeiros ginásios foram criados e a indústria da moda começou a expandir-se. Quando há potencial para gerar lucro, é isto que acontece: as empresas criam necessidades que não existiam antes e oferecem soluções desnecessárias.

Diz Edzard Ernst que desintoxicar só resulta quando as pessoas estão viciadas em substâncias nocivas e recorrem a centros de reabilitação ou a médicos. Se o corpo acumulasse toxinas sem as conseguir expelir, como mencionam as campanhas de marketing de sumos detox, estaríamos certamente mortos ou em estado grave no hospital.

O corpo nem sempre precisa da sua ajuda

Órgãos como o fígado, os rins e a pele conseguem livrar-se das toxinas sem a nossa ajuda e certamente sem o auxílio de sumos e produtos farmacêuticos. Todas as excreções são formas que o corpo tem para se livrar daquilo que não precisa e/ou é prejudicial ao seu funcionamento.

A premissa para o uso de qualquer medicamento ou tratamento deveria ser uma doença específica ou quantificável. O que não acontece no caso da necessidade de desintoxicação: os sumos e produtos detox prometem eliminar toxinas, mas que toxinas são essas afinal? Em 2009, a organização Sense about Science contactou empresas por detrás de 15 produtos detox no mercado para saber que substâncias os seus produtos eliminavam do corpo. A resposta? Uma incógnita, já que nenhuma das empresas conseguiu definir aquilo que os seus produtos desintoxicavam nem as toxinas nocivas que os seus produtos prometiam eliminar.

A resposta: tudo em moderação

Se acredita que os excessos são a causa dos seus males, a solução é a moderação. Um copo de vinho tem benefícios, mas uma garrafa inteira não. Brócolos e couves são saudáveis, mas quando consumidos em excesso libertam toxinas que acumulam no fígado, tal como as toxinas do álcool consumido em excesso. Por isso, o consumo de batidos de frutas e vegetais pelo benefício de garantir vitaminas e minerais ao corpo também pode significar "sair-lhe o tiro pela culatra". Não abusar, nem dos males, nem dos remédios, é a melhor forma de manter um corpo saudável. Junte-lhe um pouco de exercício físico e tem a fórmula perfeita para garantir uma vida longe da necessidade de sumos detox.

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