O Ministério da Saúde deu indicações para que os Centros de Saúde da Grande Lisboa e Vale do Tejo alargassem os seus horários de atendimento à noite e ao fim de semana. O objetivo é dar resposta à maior afluência de doentes com sintomas gripais, evitando que estes se desloquem às urgências hospitalares. O Ministério da Saúde pede, assim, à maior parte dos centros de saúde para alargarem os seus horários de atendimento pelo menos até às 22h00 de hoje, quarta e sexta-feira. A decisão é tomada pelos centros de saúde, a quem cabe decidir se alargam, ou não, o seu horário de funcionamento, tendo em conta as condições que possuem. A medida vai abranger mais de 50 unidades de saúde.

Apesar da medida se centrar na zona de Lisboa e Vale do Tejo, todas as administrações regionais têm autorização para alargar o seu horário de funcionamento se considerarem necessário, segundo indicações do Ministério da Saúde. Já no início deste mês, a Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano, através do seu diretor clínico e administrador, Jorge Gomes, anunciou que iria alargar o seu horário "onde se revelar necessário" como forma de responder à sobrelotação das urgências, em declarações a uma rádio local.

Esta medida excecional iniciou esta segunda-feira e termina a 27 de Fevereiro. Para além desta medida, a Linha Saúde 24 (808 24 24 24) anunciou, também, que vai abrir um serviço específico para a gripe, com um reforço de 60 profissionais que vão apenas tratar casos suspeitos de gripe. Estas medidas surgem depois de muitas urgências hospitalares terem atingido longos períodos de espera e depois de já terem vindo a público casos de morte nos serviços de urgência.

A Plataforma Lisboa em Defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) exigiu entretanto a demissão do Ministro da Saúde. Para a organização, Paulo Macedo é responsável "pela situação caótica nas urgências e mortes por alegada falta de assistência". Segundo a Plataforma, as notícias mais recentes que dão conta de longas filas de espera nas urgências hospitalares devem-se aos "sucessivos desinvestimentos no SNS" que "conduziram à saída de milhares de profissionais de saúde, à redução do número de camas até de doentes agudos, ao fecho de extensões, centros de saúde e urgências".