Um rapaz australiano de apenas quatro anos tornou-se no primeiro paciente do mundo a receber um pâncreas artificial. Xavier Hames tem diabetes tipo 1 e vive com o risco constante de entrar em hipoglicemia, com sérios riscos: os baixos níveis de glucose podem causar convulsões, coma ou, em último caso, a morte. Mas foi-lhe aplicada uma espécie de bomba que desempenha a função do pâncreas e que consegue identificar quando os níveis de açúcar estão em baixo e parar a libertação de insulina, noticiou o jornal chinês Xinhua. O professor Tim Jones, do Princess Margaret Hospital, em Perth, na Austrália, explicou que o aparelho pode tornar a vida muito mais fácil para os pais de crianças com diabetes tipo 1, especialmente à noite, quando os riscos de hipoglicemia são maiores.

"A maioria dos pais tem de se levantar duas ou três vezes por noite para verificar os níveis de glucose e vão agora poder dormir um pouco mais tranquilos à noite sabendo que têm este sistema automatizado que previne baixas de glucose", referiu o docente. Jones disse ainda que os mais crescidos também poderão vir a beneficiar desta nova tecnologia: "É tão importante numa criança como num adulto, se este viver sozinho ou com o risco de ter problemas com os níveis de glucose. Irá funcionar em qualquer idade", garantiu.

O pequeno Xavier já vive com o pâncreas artificial há um ano (desde Janeiro de 2014) e a sua mãe assegura que o instrumento já melhorou a qualidade de vida do filho: "Permite-lhe ter uma maior liberdade para comer. Ele tem apenas quatro anos, é impossível dizer a uma criança para parar de comer um prato cheio de massa. Numa festa, é impossível fazê-lo parar de comer doces. A bomba dá-lhe essa liberdade".

Após cinco anos de ensaios clínicos no Margaret Princess e outras unidades hospitalares em toda a Austrália, o aparelho está agora à venda, com um preço a rondar os oito mil dólares. Contudo, Jones acredita que a bomba vai tornar-se mais barata e acessível à medida que a tecnologia vai evoluindo.