Um estudo efetuado pela Deco revelou que a maioria dos comerciantes usa aditivos potencialmente perigosos como os sulfitos que, em alguns casos, podem até provocar a morte. Segundo a FDA (Food and Drug Administration, a autoridade norte-americana de segurança alimentar), uma em cada 100 pessoas é alérgica aos sulfitos. Estes aditivos são utilizados há vários séculos como agentes redutores para vários produtos, visando inibir o processo oxidativo associado à deterioração dos alimentos (prevenir ou reduzir a perda de cor) em frutas e vegetais para mantê-los com aparência de " frescos" por longos períodos. Na carne picada os sulfitos são proibidos, pois são capazes de restaurar e manter a cor vermelha, dando o falso aspeto de "carne fresca" e são perigosos para a saúde.

Já não é a primeira vez que a Defesa do Consumidor realiza um estudo deste género. Em 2013 foram divulgados, na revista Deco Proteste, os resultados do estudo à carne picada em 34 talhos de Lisboa e do Porto onde foram encontrados, entre outros, salmonelas, alguns aditivos perigosos, como os sulfitos, temperaturas de conservação acima do imposto por lei e também falhas na higiene. Dois anos passaram e os problemas persistem em alguns desses talhos analisados anteriormente.

Também as temperaturas acima do previsto por lei foram um problema comum. A conservação da carne picada deve ser feita a 2°C e a temperatura média de venda encontrada era de 7,9°C e 9.8°C. Nas amostras recolhidas foram também encontrados muitos problemas microbiológicos, entre eles listeria monocytogenes e salmonela e foram ainda detetados vestígios de outras carnes, incluindo aves, o que indica que vários tipos de carnes diferentes foram picadas na mesma picadora, ao contrário do que manda a lei.

Perante os resultados apresentados, a Deco aconselha os consumidores a não comprarem carne previamente picada e a pedirem, em alternativa, para ser picada na altura da compra. Contudo, a melhor opção será sempre picá-la em casa. Entretanto, o conselho de segurança alimentar irá reunir-se esta quinta-feira, numa reunião onde também estará presente a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) para tentarem perceber o que se está a passar.