De acordo com informações divulgadas pela agência Lusa, os sete chefes das equipas de urgências do Hospital Garcia de Orta, em Almada, demitiram-se ontem, segunda-feira. Os médicos anunciaram que o caos no serviço atingiu um ponto crítico e completamente inaceitável. Estas demissões, aparentemente, não estão a afetar os serviços de urgência, nem existia movimento excessivo no hospital. A demissão coletiva dos sete chefes dos serviços de urgência do Garcia de Orta foi feita através de uma carta enviada à administração, onde alegam que está instalado o caos nestes serviços.

Estes responsáveis que agora se demitem disseram que esta desorganização no hospital chega a colocar em risco o ato clínico e que, efetivamente, ocorreu um agravamento da situação laboral. Falaram também numa lotação dos serviços de internamento de cerca de 200%. Alegam, por isso, que não estão reunidas as condições para continuarem a trabalhar neste hospital e que, perante a atitude passiva da administração, não lhes resta outra alternativa senão demitirem-se. Recorde-se que, já no passado mês de Dezembro, os chefes dos serviços de urgência do Garcia de Orta tinham manifestado as mesmas preocupações perante a administração deste hospital. Visto não terem obtido resposta, decidiram agora apresentar esta demissão coletiva.

A administração do hospital garantiu que, neste momento, estão a ser postas em prática medidas para atenuar o caos e "fazer face ao aumento dos internamentos". Desta forma, mostrou-se esperançosa quanto ao recuo no pedido de demissão destes médicos, uma vez que já estão a ser tomadas medidas que regulem a situação.

Em Portugal, ao longo das últimas semanas, registaram-se oito mortes nos serviços de urgência dos hospitais, tendo falecido duas pessoas no serviço de urgência do Garcia de Orta. O falecimento destas duas pessoas, o caos nas urgências e o agravamento das condições laborais foram os motivos apresentados por estes sete chefes do serviço de urgências para apresentarem a demissão.