Um estudo publicado no British Journal of General Practice veio revelar que uma grande percentagem de pacientes não se dirige ao centro de saúde quando tem sintomas de que algo está mal com a sua saúde. Isto acontece porque receia estar a desperdiçar o tempo do médico. Além disso, concluiu-se que algumas pessoas não valorizam os sintomas por terem medo de serem diagnosticadas com cancro. Também porque não têm confiança no sistema de saúde ou acham que o seu problema é decorrente do processo de envelhecimento natural.

Um grupo de investigadores britânicos decidiu analisar como é que as pessoas que experimentam sintomas de cancro decidem se devem, ou não, procurar ajuda médica. O estudo foi realizado com mais de 1700 pessoas com idade acima dos 50 anos. A pesquisa não mencionou especificamente o cancro, mas incorporou uma lista de 17 sintomas que estão relacionados com a possibilidade de um diagnóstico oncológico, tais como tosse persistente ou dificuldade em sarar uma ferida. Os resultados demonstraram que mais de 900 pessoas relataram ter pelo menos um sintoma de alarme durante os últimos três meses. Posteriormente, os investigadores realizaram entrevistas directas com cerca de 50 participantes e descobriram que praticamente metade não tinha ido ao médico para averiguar os sintomas.

Katriina Whitaker, investigadora da University College London, revelou que muitas pessoas que entrevistou tinham sintomas alarmantes, embora os considerassem triviais e achassem não necessitar de cuidados médicos. A investigadora sublinhou que estes casos aconteciam sobretudo quando os sintomas eram intermitentes ou indolores. Ainda segundo Katriina Whitaker, outros participantes acabavam por não ir ao médico por considerarem que poderiam estar a desperdiçar recursos do sistema nacional de saúde.

Por outro lado, as razões pelas quais as pessoas decidem procurar ajuda estão relacionadas com o facto de o sintoma ser persistente, terem a intuição de que algo "não está bem" ou o medo de contrair um cancro. Segundo os testemunhos dos participantes, há um grande receio de se ser diagnosticado com esta doença, o que, por vezes, leva as pessoas a não verificar os sintomas junto de um médico. Todavia, o medo pode ser também o factor que determina a ida ao consultório. Richard Roope, especialista em cancro na Research UK GP, recomenda que, em caso de dúvida, as pessoas se dirijam sempre a um posto médico para verificar o que se passa. O especialista reforça que a ida ao médico pode salvar vidas.