A investigação portuguesa continua a dar cartas além fronteiras. Depois de, no passado dia 6, Maria Nunes Pereira (juntamente com Cristiano Ronaldo e Alexandre Farto - Vhils), também ela investigadora portuguesa, ter visto o seu nome na lista de 30 jovens inovadores de todo o mundo com menos de 35 anos, agora é a vez de Rita Guerreiro receber a distinção de "jovem investigadora europeia" de 2014. A cerimónia de consagração da cientista portuguesa está agendada para o próximo dia 19, segunda-feira, e terá lugar na prestigiada sala Olympia, em Paris. Rita Guerreiro integra os quadros da University College London, no Reino Unido.

O "Prix Européen Jeune Chercheur" (Prémio Europeu do Jovem Investigador), atribuído pela Association pour la Recherche sur Alzheimer (Associação para a Investigação sobre Alzheimer) será entregue à investigadora lusa devido ao trabalho apresentado por esta sobre as mutações do gene TREM2, que surge na linha da frente como possível factor de risco da Doença de Alzheimer, bem como de outras doenças degenerativas, como por exemplo a Demência Frontotemporal. A votação foi levada a cabo por um comité científico europeu. De acordo com um estudo de 2013 da Alzheimer Disease International estima-se que mais de 130 milhões de pessoas de todo o mundo sofram de doenças do foro mental.

Em declarações à Agência Lusa, Rita Guerreiro classifica o prémio como um reconhecimento pelo trabalho "que temos desenvolvido" nos últimos dez anos e refere ainda que a distinção é uma injecção de motivação "muito grande para o futuro". A investigadora portuguesa faz questão de sublinhar a importância de toda a equipa que a acompanha neste momento tão gratificante, ao frisar que é bastante satisfatório ver que a descoberta feita está a fazer "com que haja mais investigação aplicada", designadamente no que concerne aos fármacos, "que se estão a basear nestas descobertas".

O montante do prémio cifra-se nos 10 mil euros, quantia que Rita Guerreiro, de 34 anos, pretende aplicar na manutenção do laboratório e nos estudos que a equipa tem estado a desenvolver. A cientista portuguesa deixou Portugal em 2006, e ainda que tivesse o desejo de regressar, admite que trabalhar naquela área em Portugal é "muito difícil", uma vez que os investimentos na ciência "são cada vez menores".