Os investigadores do Instituto Pasteur, em França, têm averiguado se o vírus do Ébola se tornou mais contagioso devido à mutação que sofreu. A teoria não é consensual e, para o provar ou desmentir, estão a ser analisadas amostras de sangue de pessoas infectadas com a doença. A epidemia mais recente do vírus do Ébola foi identificada em Março do ano passado pelos mesmos investigadores do Instituto Pasteur. Existem mais de 22 mil pessoas infectadas e cerca de 8800 mortes registadas na Guiné, Libéria e Serra Leoa.

O vírus do Ébola, tal como o da gripe e do HIV, tem uma elevada taxa de mutação, o que poderá aumentar o potencial de contágio. A análise de centenas de amostras de sangue de pessoas infectadas serve, precisamente, para monitorizar as alterações que ocorrem no vírus e prevenir a sua transmissão. Nos últimos meses, têm surgido mais casos de portadores da doença que não apresentam sintomas, o que pode contribuir para uma propagação mais rápida do vírus; o geneticista Anavaj Sakuntabhai explica à BBC que "um vírus pode tornar-se menos mortífero mas mais contagioso e é disso que temos receio". No entanto, nem todos concordam com esta hipótese de que um maior número de doentes assintomáticos esteja, necessariamente, relacionado com um maior risco de contágio do vírus: o virologista da Universidade de Nottingham, Jonathan Ball, refere que poderemos estar somente perante um jogo de números, ou seja, quantas mais infecções são diagnosticadas, logicamente, mais casos assintomáticos surgirão.

Dada a sua natureza inconstante, o vírus passou por uma mutação considerável logo nos primeiros vinte e quatro dias do surto, segundo a Organização Mundial de Saúde. Perante o cenário, Sakuntabhai refere que "precisamos de saber como o vírus se está a alterar para nos mantermos a par do inimigo". Uma das maiores preocupações, tanto de cientistas como da população, é o de que o vírus do Ébola sofra uma mutação que lhe permita ser transmissível através do ar. Para tal acontecer, o vírus teria de sofrer uma mutação muito significativa; para já, o vírus transmite-se unicamente através do contacto directo com fluidos orgânicos (sangue, vómito, etc.) de uma pessoa contaminada com o vírus do Ébola.

O Ébola é um dos vírus pertencentes à família Filoviridae e tem como principal característica a ocorrência de febre hemorrágica. Actualmente, o vírus concentra-se no continente africano mas já existiram, no passado, casos na China e nas Filipinas. Os sintomas traduzem-se em fraqueza, vómitos, febre, dores de cabeça e garganta e dores musculares. #Ébola