O estudo desenvolvido por investigadores norte-americanos revelou que o consumo de anticolinérgicos, nomeadamente antidepressivos, anti-histamínicos ou comprimidos utilizados normalmente para dormir, podem aumentar a probabilidade de desenvolver demência ou Alzheimer. O alerta contra a utilização de substâncias pertencentes a este grupo farmoterapêutico foi assim deixado, sobretudo quando se trata de medicamentos que podem ser facilmente adquiridos em qualquer estabelecimento farmacêutico, sem ser necessária uma receita médica. A este grupo pertencem ainda medicamentos utilizados para tratar alterações urinárias, nomeadamente a oxibutinina, e antidepressivos, como a doxepina.

Foram seguidos cerca de 3500 idosos durante mais de sete anos. Ao longo deste período, foi feito um acompanhamento de todos os medicamentos que tomavam, adquiridos com ou sem prescrição médica. As conclusões revelaram que aqueles que consumiam no mínimo 10 miligramas de doxepina por dia, 5 de oxibutinina e 4 de difenidramina, ao longo de mais de três anos, desenvolveram um maior risco de ter demência. No final, de um total de 3434 pessoas, 637 tiveram a Doença de Alzheimer, enquanto 160 desenvolveram outros tipos de demência. Em particular naqueles que consumiam doses mais altas dos medicamentos, o risco de demência chegou aos 54%, quando comparados com aqueles que não consumiram um anticolinérgico de qualquer natureza. O risco associado ao desenvolvimento de Alzheimer é 63% mais alto.

Bloqueando um neurotransmissor do sistema nervoso central chamado acetilcolina, que desempenha várias funções no corpo, os anticolinérgicos podem causar efeitos secundários, tais como sono, visão turva e problemas de memória, afectando, assim, o normal funcionamento do nosso cérebro. De acordo com Shelly Gray, Diretora do Programa de Farmácia Geriátrica da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, a população adulta mais velha deve ter consciência de que muitos medicamentos desta natureza têm efeitos anticolinérgicos bastante fortes. O alerta foi, desta forma, deixado por Shelly Gray, que aconselha prudência antes de se consumirem substâncias alternativas não anticolinérgicas, como é o caso do citalopram e da fluoxitina, compostos dos antidepressivos, ou da loratadina, presente nos antihistamínicos de segunda geração. Recorde-se que grande parte desta medicação é tomada por pessoas mais velhas, daí que seja premente uma reavaliação continuada destas doses pelos médicos. #Terceira Idade