Perdoar alguém é uma tarefa difícil, mas não o fazer poderá ser maléfico para a saúde, devido a todo o ressentimento e culpa que se acumula. Um novo estudo veio revelar os benefícios físicos e psicológicos do perdão. Desculpar os outros faz com que nos sintamos repletos de mais poder pessoal, ao passo que não o fazer pode aumentar as nossas ruminações interiores e trazer outros efeitos adversos.

A pesquisa foi conduzida por Xue Zheng da escola de Gestão da Universidade de Roterdão. O trabalho, publicado na revista Social Psychological and Personality Science, descreve o resultado de dois estudos que envolviam alunos divididos em diferentes grupos. De acordo com os investigadores, as experiências permitiram demonstrar que as pessoas que são capazes de perdoar "percepcionam um mundo menos assustador". Contudo, Zheng e a sua equipa não conseguiram explicar a discrepância exibida, embora refiram algumas possibilidades.

Segundo os autores do estudo, "as pessoas que são incapazes de perdoar muitas vezes sentem uma sensação de impotência". Impotência que pode ser manifestada de forma física e cognitiva, levando as pessoas a percepcionar o mundo de uma forma mais negativa. Posto isto, talvez o perdão leve ao aumento da sensação de poder pessoal que, por sua vez, se manifesta em maior força física. A equipa também refere que a dificuldade em perdoar "pode aumentar a ruminação", o que pode diminuir a disponibilidade de recursos cognitivos que poderiam ser usados noutras actividades. Os autores concluem que não perdoar é como carregar um fardo.

O primeiro dos estudos foi composto por 46 alunos divididos em dois grupos. Um deles foi convidado a escrever sobre "uma situação em que ficaram extremamente ofendidos com uma pessoa mas perdoaram-na". Ao outro, foi solicitado que se exprimisse sobre um incidente semelhante, mas em que ainda se mantinham sentimentos negativos face à pessoa. Após a escrita, os alunos foram convidados a ficar perto da base de uma colina e dar uma estimativa do quão ingreme era. Aqueles que escreveram sobre o perdão percepcionaram a colina como sendo menos acentuada do que aqueles que relataram sentimentos negativos.

O segundo estudo foi realizado com 160 alunos, divididos em três grupos. Um deles escreveu sobre uma situação em que alguém agiu mal mas foi perdoado, ao passo que outro se exprimiu sobre uma situação semelhante, mas em que não perdoaram o ofensor. Já o terceiro grupo escreveu sobre uma "interacção interpessoal recente" que não envolvia perdoar ninguém. Seguidamente, foi pedido aos participantes que saltassem cinco vezes sem dobrar os joelhos, enquanto os investigadores registavam o quão alto cada participante conseguia saltar, tendo em conta a capacidade física de cada aluno. O estudo indiciou que aqueles que escreveram sobre o perdão saltaram mais alto do que os restantes dois grupos. Por outro lado, o grupo que ficou incumbindo de relatar uma situação em que não perdoou alguém foi aquele que apresentou saltos mais baixos.