De acordo com um balanço divulgado neste sábado, 2082 enfermeiros pediram, em 2014, autorização à Ordem para trabalhar no estrangeiro, o que equivale a uma média de 5,7 por dia. Numa nota informativa apresentada pela Ordem dos Enfermeiros (OE), pode-se também verificar que existiu uma diminuição do número de profissionais que pediram a "Declaração das Diretivas Comunitárias" em relação a 2013. A região que mais pedidos teve foi o sul do país. Segundo as informações avançadas pela OE, em seis anos mais de dez mil (mais propriamente 10775) profissionais de enfermagem requereram a documentação necessária para abandonar Portugal. O ano que registou o maior número de saídas foi 2012, com 2814 enfermeiros a solicitarem autorização para exercer atividade noutros países.

Analisando os dados por regiões, foi no sul que foram efetuados mais pedidos desta natureza (1009). Depois seguiu-se o centro (617), o norte (345) e a Madeira (82). Por fim, surge os Açores com 29 solicitações de autorização para emigrar. Sendo assim, em comparação com 2013 registou-se uma diminuição nestes números. No ano de 2014, emigraram menos 17,3% enfermeiros do que no ano transato, no qual se registaram 2516 pedidos. Foi a primeira vez desde 2010 que se verificou uma descida no número de profissionais desta área que pediram autorização para trabalhar noutro país.

As informações reveladas mostram também que a maior parte dos enfermeiros que decidem emigrar ficam pelo continente europeu. Inglaterra, França, Bélgica, Alemanha, Suíça e Irlanda são os principais destinos escolhidos. Segundo a OE, uma grande parte destes profissionais de saúde que abandonam o país estão "em início de carreira", mas já possuem "alguma experiência". No entanto, também se tem verificado que existe um número substancial de enfermeiros na faixa etária entre os 30 e os 40 anos que decidem exercer a sua profissão além-fronteiras. Neste último caso, muitos deles são "altamente especializados". Antes da divulgação destes números, o bastonário da OE, Gemano Couto, numa entrevista ao jornal "Público", falou sobre as consequências que a perda destes profissionais pode trazer para o país. "A curto prazo, os serviços de onde os enfermeiros saem perdem profissionais competentes e colocam muitas vezes em risco a segurança dos doentes.", afirmou.