Ser activo apenas durante alguns períodos de tempo, mesmo que se faça esforço intensivo (como no ginásio), não compensa se passarmos muito tempo sentados. Por outras palavras, a actividade esporádica não anula os efeitos do sedentarismo em termos de estatísticas de morte prematura, doenças cardiovasculares, cancro e hospitalizações. As conclusões foram divulgadas pelo cardiólogo norte-americano David Alter com base em mais de 40 estudos. Em todos eles, o tempo que os participantes passavam sentados era directamente proporcional ao aparecimento de factores de risco que resultam potencialmente numa morte prematura.

Segundo as contas do especialista da Universidade de Toronto, no Canadá, passar oito ou nove horas por dia sentado aumenta em 90% o risco de aparecimento de diabetes, em 18% o risco sofrer doenças cardiovasculares ou cancro e em 24% o risco de morte em geral por questões de saúde - números que não se alteram muito em pessoas que nas horas restantes praticam exercício físico, não passando os 15% de redução no caso de pessoas activas entre meia hora a uma hora por dia. Suspeita David Alter que os efeitos do sedentarismo no metabolismo anulam a maioria dos benefícios da actividade física. "Podemos mudar um pouco os efeitos negativos do sedentarismo ao fazer algum exercício, mas não os podemos anular por completo", alertou o médico citado pela revista Time.

As recomendações para mudar as estatísticas e levar uma vida mais saudável são simples, mas nem sempre exequíveis especialmente em contexto de trabalho. O cardiologista sugere uma redução de cerca de 20 minutos do tempo que passamos sentados a cada dia, até que consigamos eliminar duas ou três horas de tempo passadas numa cadeira ou sofá. Adicionalmente, pausas de um a três minutos, de pé, a cada meia hora e períodos de exercício físico entre 30 minutos a uma hora diariamente são outras recomendações. Algumas dicas para aqueles que não dispensam o seu tempo à frente da televisão é levantarem-se e caminharem em volta da sala durante os intervalos ou fazerem de pé algumas das actividades que normalmente fariam sentados, já que só dessa forma é possível queimar o dobro das calorias. Todas estas mudanças de hábitos sugerem que o melhor descanso para o corpo é mesmo a actividade, por mais paradoxal que isso pareça, e que essa actividade é tão importante como não descurar das horas de sono.

Todas as conclusões foram publicadas a 20 de Janeiro na revista Annals of Internal Medicine. No editorial associado à publicação pode-se ler: "O comportamento sedentário é ubíquo. A sociedade construiu-se, física e socialmente, para ser 'sentado-cêntrica'", algo que está lentamente a mudar à medida que "governos e profissionais de saúde de todo o mundo actualizam as suas recomendações para reflectir este entendimento de que estar sentado durante muito tempo pode ser um perigo para a saúde".

Uma vez que esse perigo é mais silencioso do que outros, que se manifestam através de dores, é importante também, segundo os especialistas, criar uma sociedade que proporcione aos cidadãos formas de cumprir com a actividade física ao longo do dia. Tudo porque o corpo humano não está preparado para tanto sedentarismo, da mesma forma que não está preparado para enfrentar um dia de manhã cedo se não adoptarmos alguns hábitos simples e que melhoram a saúde. Por isso mesmo, e depois de ler este artigo, sugerimos que vá dar um passeio ou que pelo menos se levante para ir buscar um copo de água. Pela sua saúde.