O surto de sarampo que começou na Disneylândia continua a espalhar-se ao longo dos Estados Unidos, começando a alarmar até os pais cujos filhos foram vacinados contra a doença. Autoridades de saúde do Michigan confirmaram na passada sexta-feira que um adulto do condado de Oakland foi diagnosticado com sarampo, o que sugere que o surto se tem vindo a deslocar para Este do parque temático, localizado na Califórnia. Seis outros estados – Utah, Washington, Colorado, Oregon, Nebraska e Arizona – além do México, registaram casos desde que uma jovem, apontada como a paciente zero, se sentiu mal na Disneylândia, antes do Natal. Estima-se que existam actualmente mais de 100 casos nos Estados Unidos, a maioria na Califórnia.

Hospitais e médicos da região esperam que o pedido de vacinas e conselhos continue a aumentar. O surto preocupa principalmente os pais que se recusam a vacinar as suas crianças, por recearem a segurança das vacinas. A maioria das pessoas infectadas não foram vacinadas, mas um pequeno número de pacientes foram afectados apesar de terem tomado essa medida preventiva, o que deixa alarmados alguns especialistas e pais. “Para mim, isso é assustador”, disse uma mãe, citada pelo The Guardian.

Pelo menos cinco dos 70 casos verificados na Califórnia são de pessoas vacinadas. As orientações federais recomendam duas vacinas desde 1989. Antes, era apenas uma. Muitos daqueles que foram imunizados nos anos 60, 70 ou 80 não levaram a segunda vacina. Em 2011, uma jovem de 22 anos que tinha tomado a vacina infectou outras quatro pessoas, também elas imunizadas, num surto em Nova Iorque. Os médicos, contudo, recomendam vivamente a vacinação como a melhor forma de prevenção, garantindo que é eficaz em 99 por cento dos casos.

Os Centros para Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) consideram o sarampo, um vírus que vive no nariz e na garganta, “a mais mortal de todas as doenças febris entre as crianças”. A maior parte dos que não estão imunes poderão ser infectados se se aproximarem de pessoas infectadas, segundo o CDC.

Estima-se que 20 milhões de pessoas contraiam sarampo todos os anos, em todo o mundo. Nos Estados Unidos, o CDC espera uma média de 220 casos anuais. Contudo, no ano passado, foram registados 644, um recorde com quase 20 anos que este ano poderá ser ultrapassado.

A onda anti vacinas tem vindo a crescer nos Estados Unidos, especialmente nas áreas mais ricas, como Orange County, bem perto da Disneylândia, e a cobertura dos media tem-se centrado muito nestes movimentos. A Califórnia tem sido o principal palco desse debate, uma vez que as suas leis mais flexíveis permitem aos pais recusar a vacinação com base em crenças pessoais. O estado tem também um número relativamente grande de pais extremamente protectores, que deu origem a uma comunidade online de cépticos, críticos e teóricos da conspiração.