Depois de ter sido testada em doentes norte-americanos e de ter tido resultados muito favoráveis, a vacina experimental contra o Ébola foi agora testada na população do Uganda e os efeitos não podiam ser mais animadores. Os investigadores deste trabalho publicaram os seus resultados na edição de 22 de Dezembro da revista médico-científica "The Lancet", defendendo que esta é claramente uma vacina candidata para combater o vírus do Ébola. Testada num ensaio clínico em África, esta vacina mostrou ser segura, levando o organismo dos participantes a produzir defesas contra o vírus. De acordo com Julie Ledgerwood, líder deste estudo associada aos National Institutes of Allergy and Infections Diseases (NIAID), este trabalho de investigação mostra que esta vacina é eficiente e provoca uma resposta imunitária contra o Ébola entre a população africana. Uma vez que grande parte das pessoas que estão expostas a esta doença vive no continente africano, Julie Ledgerwood considera esta fase de testes e estes resultados particularmente encorajadores.

Em que consiste, afinal, esta vacina que foi dada, entre 2009 e 2010, de forma intramuscular, distribuída por três doses e em momentos distintos a 108 adultos em estado saudável? De um modo sintético, a mesma codifica as proteínas do vírus para que a resposta do sistema imunitário contra essas mesmas proteínas fique activa. A verdade é que, após receberem a terceira dose da vacina, mais de metade das pessoas já tinha anticorpos contra o Ébola. Além de codificarem proteínas das estirpes do Zaire e do Sudão do Ébola, as vacinas testadas fazem a mesma função com a proteína do vírus Marburg, um vírus documentado pela primeira vez no momento em que 37 pessoas adoeceram nas cidades alemãs de Marburg e Frankfurt am Main, e em Belgrado, em 1967.

Tanto no grupo submetido à vacina do Marburg como do Ébola, as vacinas foram bem toleradas e, de acordo com a investigadora, está agora estabelecida uma base para a criação de uma vacina mais potente "que usa um vírus inofensivo de constipação no chimpanzé e que está em ensaios clínicos nos EUA, Reino Unido, Mali e Uganda".

Recorde-se que este flagelo teve início em Dezembro de 2013, no momento em que uma criança com dois anos de idade morreu em Guéckédou, Guiné-Conacri, não resistindo a uma febre hemorrágica cujas causas não foi possível identificar. Mais tarde, a irmã e a avó acabaram também por falecer. Posteriormente, pensou-se então que esta criança, "classificada" como "doente zero", teria adoecido devido ao contacto com um ninho de morcegos que coabitavam numa árvore onde estas crianças tinham por hábito brincar. De acordo com dados recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), referentes a 24 de Dezembro, o Ébola infectou 19 497 pessoas e matou 7588, sendo as regiões mais afectadas a Guiné-Conacri, a Serra Leoa e a Libéria. #Ébola