Um novo estudo americano demonstra que as crianças que consomem demasiadas bebidas açucaradas e energéticas correm o risco de estarem mais propensas a desenvolver sintomas de hiperactividade e défice de atenção, influenciando negativamente o seu rendimento académico. A descoberta tem implicações para o sucesso escolar e os autores recomendam que os pais limitem a quantidade de bebidas ingeridas pelos seus filhos.

O estudo, publicado na Revista Academic Pediatrics, recomenda que as crianças não consumam bebidas energéticas devido aos elevados níveis de açúcar existentes e à possibilidade de, muitas dessas bebidas, conterem cafeína. Jeannete Ickovics, professora da Escola de Saúde Pública da Universidade de Yale (EUA) e líder da equipa de investigação, revela que, além de hiperactividade e défice de atenção, as bebidas açucaradas também contribuem fortemente para a obesidade infantil. Actualmente, cerca de um terço das crianças americanas estão acima do peso ideal ou sofrem de obesidade.

Este estudo também descobriu que os rapazes são mais propensos a consumir bebidas energéticas do que as raparigas. Além disso, verificou-se que crianças afro-americanas e hispânicas ingerem mais este tipo de refrigerantes do que as crianças caucasianas. Segundo Ickovis, os resultados desta investigação apoiam as recomendações lançadas pela American Academy of Pediatrics, que sugere que os pais devem limitar o consumo de bebidas açucaradas e que as crianças não devem consumir nenhum tipo de bebidas energéticas.

Algumas bebidas deste tipo, que são extremamente populares entre as crianças e jovens, chegam a conter mais de 40 gramas de açúcar, ultrapassando o limite máximo diário recomendado pelos especialistas: 21-33 gramas de açúcar (dependendo da idade). Os alunos que participaram neste estudo consomem, em média, duas bebidas açucaradas/energéticas por dia.

Embora sejam necessárias mais pesquisas para se compreender os efeitos e mecanismos que explicam a relação entre o consumo de bebidas energéticas e a hiperactividade, a verdade é que alguns estudos anteriores já evidenciaram uma forte correlação entre as crianças com hiperactividade e défice de atenção e resultados académicos pobres e maiores dificuldades de relacionamento com os pares. A equipa de investigação entrevistou 1649 estudantes de Connecticut, selecionados aleatoriamente. A idade média dos participantes foi de 12 anos de idade.