Gosta de correr para se manter em forma? Ainda bem, mas talvez seja melhor ir com calma, agora que estamos em plena fase de popularidade do exercício físico em Portugal. De acordo com um recente estudo realizado por investigadores dinamarqueses, no que toca a correr, menos acaba por ser... mais. Na verdade, correr excessivamente poderá ser tão prejudicial à nossa saúde como o ócio.

O estudo descobriu que os corredores menos apressados, que correm num ritmo mais lento ou moderado, têm as taxas de mortalidade mais baixas. Pelo contrário, quem corre arduamente e com muita frequência têm tantas probabilidades de morrer como quem não faz exercício. Uma corrida ligeira, num ritmo contínuo de apenas 8 km/h, para um percurso de 2.4km em 18 minutos, é mais saudável do que corridas intensas a velocidades superiores a 11 km/h. Correr ligeiramente um total de 1 a 2,4 horas, no máximo três vezes por semana, é a melhor fórmula para uma vida longa, segundo o referido estudo, acabado de publicar no Journal of the American College of Cardiology.

Não é uma conclusão de todo surpreendente, pois vem apoiar os resultados de estudos anteriores, os quais sugeriam que atividades físicas extenuantes podem provocar problemas de saúde, especialmente ao nível do sistema cardiovascular.

Para este estudo, os participantes tiveram de relatar a frequência e a duração das suas corridas, bem como a sua perceção do ritmo utilizado. Os resultados baseiam-se em dados recolhidos junto de 1098 corredores saudáveis e outros 413 indivíduos saudáveis, mas sedentários, ao longo de 12 anos. Refira-se, no entanto, que o estudo foi limitado por fatores tais como a curta amostra de corredores de grande intensidade. Dos mais de mil corredores que participaram, apenas 127 foram identificados como executantes de grande frequência e intensidade.

Não se pense também que estes resultados devam a colocar o exercício regular de lado. Na verdade, as comunidades médica e desportiva apressaram-se a aconselhar contenção na análise deste estudo, para que a mensagem não seja desvirtuada. A título de exemplo, a doutora Cindy Lin, do Changi Sports Medicine Centre (Centro de Medicina Desportiva Changi), em Singapura, afirma: "A mensagem errada que se pode retirar deste estudo é que o sedentarismo é tão bom como o exercício de elevada intensidade. Os benefícios do exercício moderado a intenso estão bem documentados".

Por seu lado, o doutor Mok Ying Ren, corredor de alta competição, acredita que a dose perfeita de exercício é variável de pessoa para pessoa: "É importante ouvir o nosso corpo. A moderação é fundamental para o exercício. Se o objetivo é apenas manter um estilo de vida saudável, fazer exercício 5 vezes por semana, 30 minutos de cada vez, é suficiente". O segredo estará provavelmente em seguir boas práticas e saber encontrar um ponto de equilíbrio. Como em tudo na vida.