Se em 2007 se registaram 35 queixas de agressão a profissionais de saúde no local de trabalho, em 2014 foram quase 500. Os dados são da Direção-Geral de Saúde (DGS), que nos primeiros dez meses do ano passado contabilizou 477 casos de violência, contra os 202 registados no ano de 2013. As notificações são feitas via online, de forma anónima e voluntária, e mostram outro dado curioso: são as mulheres que mais se queixam de violência no exercício dos cuidados de saúde.

Os dados de 2014 ainda carecem de tratamento mas, o ano de 2013 já está encerrado e é possível inferir que a Administração Central de Saúde do Centro apresentou o maior número de notificações, seguida da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo. Os relatos, que chegaram à DGS, indicam que é na consulta externa que mais acontecem as agressões, 59 das 202 registadas no sítio oficial de internet. Segundo os dados, quase metade dos agressores (45%) são doentes, enquanto que 34% são profissionais de saúde e 16% são familiares dos doentes.

A Ordem dos Médicos pede mão pesada para os agressores de forma a desencorajar comportamentos agressivos contra os profissionais de saúde já que a DGS revelou que quase metade dos profissionais agredidos em 2013 se mostraram "insatisfeitos" com a forma como a Administração lidou com o episódio da agressão. Para o presidente da Seção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, esta situação deriva do facto "das pessoas estarem insatisfeitas no seu dia-a-dia e expressam com violência as suas emoções no hospital e nos centros de saúde".

Carlos Cortes, em declarações à agência Lusa, salienta que os utentes estão "insatisfeitos com o que lhes está a ser dado em termos de cuidado de saúde, havendo dificuldades nos transportes, na aquisição de medicamentos e no pagamento das taxas moderadoras". Para tentar erradicar o problema, Carlos Cortes sugere que seja dado mais "apoio" aos profissionais de saúde uma vez que muitos deles se dizem sentir "desprotegidos". A Seção Regional do Centro vai começar desde já a contribuir através da criação de um grupo multidisciplinar para dar resposta aos casos de violência.