Um estudo britânico veio sugerir que os homossexuais masculinos devem ser tratados com medicamentos anti-virais para "reduzir o número de casos de HIV". A investigação centrou-se no tratamento preventivo e demonstrou que a profilaxia pré-exposição (PrEP) poderá diminuir, em cerca de 86% dos casos, o risco de contrair HIV. O método consiste na administração de um fármaco - Truvada - e, para isso, basta tomar um comprimido por dia. A equipa referiu que a ideia é semelhante à pílula para mulheres e que pretende desincentivar o sexo de risco.

Para a realização do estudo foram recrutados 545 participantes a partir de 13 clínicas de saúde sexual, na Inglaterra. Os indivíduos foram divididos em dois grupos, sendo que a um deles foi dado imediatamente o fármaco Truvada e ao outro apenas um ano depois. Comparando os dois grupos, foi possível avaliar a eficácia do PrEP em homens com alto risco de infecção. Dos 276 homens tratados de imediato, apenas três foram infectados com HIV ao longo do ano subsequente. Durante o mesmo período, 19 homens do grupo que começou a tomar o medicamento mais tarde tornaram-se HIV positivo.

Sheena McCormack, professora e investigadora da Unidade de Ensaios Clínicos do Conselho de Pesquisa Médica da University College London, Inglaterra, afirmou que estes resultados são "extremamente emocionantes e demonstram que o PrEP é altamente eficaz na prevenção da infecção pelo HIV no mundo real". McCormack afirmou ainda que a preocupação de que o PrEP não viesse a funcionar era, afinal, "infundada". Também Michael Brady, director médico da unidade de HIV/Aids de Terrence Higgins Trust, considera que os resultados apresentados têm um valor "inestimável". O especialista afirmou que apesar de a maioria dos gays usarem preservativo, ainda há alguns que não utilizam esse método. Desta forma, Brady considera que o PrEP pode ser "bastante eficaz" na prevenção da transmissão do vírus em grupos de maior risco.

Através desta investigação, verificou-se que o PrEP poderá ser uma ferramenta valiosa na prevenção do HIV, podendo ser combinado com preservativos e outros métodos de prevenção, de modo a fornecer uma proteção ainda maior. Os autores do estudo salientam que o facto de se tomar PrEP não irá alterar as taxas do uso de preservativo.