No dia em que se comemora o Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, Portugal, e sobretudo os seus doentes, continua a lutar pelo acesso a um medicamento que pode salvar a vida dos pacientes com Hepatite C. De relembrar que esta doença é a causa mais frequente de cancro do fígado e de transplante hepático. O fármaco em causa, o Sofosbuvir, é um medicamento inovador produzido pela farmacêutica norte-americana Gilead Sciences. Este medicamento apresenta uma taxa de cura superior a 90%.

A Agência Europeia do Medicamento aprovou a sua comercialização nos 28 países da União Europeia em Janeiro de 2014. Contudo, em Portugal o preço pedido pelo laboratório - 48 mil euros - representa um valor incompatível com o Sistema Nacional de Saúde, daí que o Governo Português não tenha ainda aprovado a sua comparticipação, continuando até ao momento em negociações para baixar o preço definido pela farmacêutica.

São mais de 12 mil os doentes diagnosticados nos centros hospitalares portugueses, sendo que apenas os casos prioritários, de acordo com o risco de morte e a evolução da doença, estão a avançar com o tratamento. Apesar do Ministro da Saúde ter prometido o tratamento a cerca de 150 doentes, até ao momento este só chegou a cerca de três dezenas.

Porém, não deixa de ser caricato que a farmacêutica Gilead Sciences tenha vendido ao Egipto o tratamento por um preço irrisório de apenas 700 euros, sendo que este é o país com maior taxa de doentes hepáticos do mundo. Desde Maio de 2014 que países como a Espanha, França, Itália, Grécia e Irlanda se juntaram a Portugal com o intuito de defender estratégias para a negociação do fármaco.

Em Portugal a situação ganhou novos contornos com a morte de uma paciente de apenas 51 anos de idade, e diagnosticada há cerca de 20, e que continuava a esperar pela chegada deste medicamento inovador. Também a Plataforma Hepatite C manifestou-se e fez-se ouvir junto à Assembleia Nacional, exigindo ao Ministério da Saúde que trate os 5000 casos mais iminentes ainda até ao final deste ano.