Depois de uma semana conturbada, o Ministério da Saúde e o Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde) chegaram finalmente a um acordo com a farmacêutica norte-americana Gilead Sciences. Nos próximos três anos mais de 10 mil doentes com Hepatite C vão receber tratamento. Por cada pessoa tratada o Governo deverá gastar menos de 25 mil euros, à semelhança do que já acontece em Espanha. Isto surge depois de se ter conhecimento do óbito de uma doente que esperava pelo medicamento há um ano.

A proposta portuguesa acabou por ser um êxito: mais pessoas tratadas e a um valor abaixo dos 42 mil euros, o que significa uma redução de praticamente 50%. A acrescentar a isto, os três meses iniciais serão pagos, enquanto os outros, caso o doente ainda necessite, serão oferecidos pela farmacêutica Gilead Sciences. Sabe-se que o medicamento em causa (o Sofosbuvir) possui uma taxa de cura elevada (superior a 90%). Desde 2014 que a polémica se alastrava por causa dos seus preços astronómicos (taxas de lucro de 5000%).

As pessoas afectadas pela doença que receberem este tratamento serão escolhidas pelo Infarmed, que vai analisar isoladamente cada caso. Segundo os últimos dados vindos a público existem mais de 13 mil portugueses com Hepatite C. Confrontada com estes avanços, a presidente da SOS Hepatites, Emília Rodrigues, mostra-se satisfeita, mas não deixa de apontar o dedo ao Governo, que segundo a própria já devia ter alcançado este mesmo acordo há mais tempo. Aproveita ainda para chamar à atenção para as dificuldades financeiras dos hospitais portugueses propondo a criação de uma linha de crédito, de modo a que nenhum estabelecimento fique de fora. Todos deverão ter acesso a este medicamento inovador.

Recorde-se que tudo começou com a morte de uma mulher com Hepatite C, sem ter recebido o medicamento. Segundo o filho, a mãe esperava pelo medicamento desde Fevereiro de 2014. A última comissão parlamentar também foi interrompida com o testemunho de um doente, com a doença há 18 anos, que apelou para não o deixarem morrer.