As circunstâncias ainda estão por apurar, mas o Conselho de Administração do IPO de Lisboa, em comunicado enviado ao Jornal Público, confirmou o incidente e garante que "estão em curso os devidos procedimentos". Os pais da criança de cinco anos, que sofre de doença oncológica, garantem que a médica anestesista agrediu o filho com um estalo e ponderam apresentar queixa à Administração do hospital. O IPO, para além de explicar que já avançou com uma investigação, afirma, no mesmo comunicado, que "a situação está em completa oposição ao tratamento que é oferecido nesta Instituição e ao comportamento que é exigido aos profissionais".

A médica anestesista, segundo apurou o Correio da Manhã, agrediu a criança de cinco anos, que sofre de um rabdomiossarcoma pélvico, um cancro que afecta os tecidos moles, quando esta se preparava para realizar os habituais exames médicos. Segundo a mesma fonte, a criança estava irrequieta e a fazer barulho, o que alegadamente irritou a médica que resolveu o problema à estalada. Ao aperceber-se do que fez, a profissional de saúde terá pedido desculpa pela atitude, explicando que estava nervosa devido ao excesso de trabalho.

Na mesma semana em que os dados da Direção Geral de Saúde revelam que as agressões sobre profissionais de saúde duplicaram em 2014, chega à opinião pública a outra face do problema. O Jornal Diário de Notícias ouviu Fátima Carvalho, do Conselho Disciplinar da Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, que explicou que apenas em situações excepcionais a Ordem dos Médicos interfere nestes casos antes da apresentação do relatório por parte da Instituição envolvida.

A Ordem dos Médicos afirma que vai esperar pelas conclusões apresentadas pelo IPO de Lisboa mas, a confirmarem-se os factos relatados, Fátima Carvalho não tem dúvidas de que "estamos perante um comportamento desadequado perante um doente. Não é justificável nem que um doente bata num médico, nem que um médico bata num doente. A ter existido tem de ter um enquadramento muito especial".