Esta segunda-feira as autoridades hospitalares de Berlim informaram que um bebé com 18 meses havia morrido com uma infeção de sarampo, doença causada por um vírus agressivo e que afeta sobretudo crianças. Apesar de se terem registado mais de 570 casos do género desde outubro, esta foi a primeira fatalidade confirmada. Contudo causou preocupação, inclusive junto do governo alemão, uma vez que esta é uma doença facilmente evitável e que, para todos os efeitos, estaria extinta no chamado Primeiro Mundo. A tragédia desta degunda-feira surge após o fim-de-semana em que o Ministro da Saúde alemão, Hermann Groehe, fez declarações acerca dos perigos dos movimentos anti-vacinação que estão a ganhar popularidade na Alemanha, tornando-se assim num perigo sanitário para a população em geral. Segundo o Ministro, "o atemorizar irracional dos opositores da vacinação é uma irresponsabilidade."

O movimento anti-vacinação surgiu nos Estados Unidos da América, onde certos indivíduos e grupos apresentaram ideias, de validade questionável e completamente desacreditadas, que afirmavam que a vacinação causaria outros problemas de saúde, nomeadamente autismo ou danos no sistema imunitário, assumidamente frágil, da criança. Estas noções contrariam a esmagadora evidência científica que demonstra a eficácia da vacinação na prevenção de doenças que noutros tempos poderiam, inclusive, devastar populações (e que na generalidade faziam com que uma grande percentagem das crianças nunca chegasse à idade adulta) antes da implementação da vacinação em grande escala. Para todos os efeitos o que a vacinação faz é "treinar" o sistema imunitário com uma estirpe enfraquecida da infeção que se deseja prevenir. Estes vírus, apesar de similares com os que causam a doença, estão enfraquecidos e ajudam o corpo a identificar os perigos reais quando surgem, sem que seja necessário uma luta pela vida aquando do primeiro contato.

A recusa da vacinação pode originar um problema ainda maior, que é permitir que os indivíduos não vacinados sirvam como vetor de disseminação para novas e mais resistentes estirpes de viroses que de outro modo seriam aniquiladas ou tornadas inativas. Isto torna a não-vacinação um grave problema de saúde.

De volta à Alemanha, crê-se que a atual epidemia tenha tido origem em refugiados vindos dos Balcãs, mas o receio das autoridades é a popularidade que a não vacinação começa a ganhar na própria população alemã. Estão em curso esforços para educar as comunidades acerca do funcionamento e vantagens das vacinações, uma vez que apesar de a percentagem de crianças vacinadas ser alta, 95%, as não vacinadas, como referido anteriormente, representam um potencial perigo para a população em geral.