De acordo com investigadores da University of Southern Denmark (Syddansk Universitet), na Dinamarca, o recurso continuado a contraceptivos de via oral, como a pílula, poderá estar na origem de uma espécie rara de cancro que afecta o cérebro. O glioma atinge anualmente cerca de 5 em 100 mil mulheres em idade reprodutora, mas o risco de contrair o tumor duplica em mulheres que tomem a pílula durante mais de cinco anos seguidos.

O estudo, orientado pelo Doutor David Gaist, teve por base uma amostra de cerca de 300 mulheres com glioma do cérebro, diagnosticado entre 2000 e 2009, e a comparação dos seus métodos contraceptivos com um grupo de controlo. Para as mulheres que utilizavam apenas métodos contraceptivos de progestagénio, o risco de contrair cancro no cérebro era 2,4 vezes superior ao das mulheres do grupo de controlo. Outros métodos contraceptivos foram estudados, revelando um aumento do risco de cancro, embora com resultados inferiores.

Vários tipos de cancro têm sido associados ao recurso a hormonas femininas através de métodos contraceptivos como a pílula, tais como o da mama ou dos ovários. Estudos anteriores realizados noutros contextos revelam um aumento aparente do risco de contrair cancro quando a mulher toma a pílula durante um longo período de tempo, e que o risco reduz substancialmente quando a medicação é interrompida. "É importante contextualizar este aparente aumento do risco", complementa o Doutor David Gaist. "Apesar de termos descoberto uma ligação estatisticamente significativa entre os contraceptivos hormonais e o risco de glioma, uma avaliação do risco-benefício poderia, ainda assim, ser favorável ao uso de contraceptivos hormonais em determinadas utilizadoras".

O estudo em questão foi publicado no British Journal of Clinical Pharmacology e pretende, de acordo com as palavras do seu orientador, ser "um importante contributo", esperando "que as nossas descobertas estimulem maior investigação sobre a relação entre agentes de hormonas femininas e o risco de glioma".