Muito se fala do frio e das suas consequências nefastas, incluindo as habituais constipações nesta altura particular do ano. É um mal que não nos larga e com o qual estamos habituados a lidar, mas que indubitavelmente nos incomoda, por vezes mesmo com consequências graves. Contudo, acaba de abrir-se uma porta real de esperança, pois os investigadores desvendaram os segredos de um código que rege as infeções provocadas por um enorme grupo de vírus, incluindo o da constipação comum. Até recentemente, o código havia passado despercebido aos cientistas, por estar oculto na própria sequência do ácido ribonucleico (ARN) que constitui este tipo de genoma viral.

Graças à união de esforços entre investigadores das universidades de Leeds e York, na Grã-Bretanha, bem como à técnica da espectroscopia de fluorescência aplicada a vírus de plantas, foi possível encontrá-lo. Agora, num artigo publicado na última edição da Proceedings of the National Academy of Sciences (refª. "Revealing the density of encoded functions in a viral RNA") revelam o significado deste código e vêm demonstrar que é possível alterá-lo e assim interromper a sua formação. Impedir a formação de um vírus pode inviabilizar o seu funcionamento e com isso evitar o surgimento da doença. #Inovação

O responsável principal pelo estudo, o Professor Peter Stockley, docente de Química Biológica na Universidade de Leeds, afirma: "Se pensarmos nisto como uma guerra molecular, estes são os sinais encriptados que permitem a um vírus ativar-se de forma eficaz. (…) Agora, para toda esta classe de vírus, descobrimos a 'máquina Enigma' - o sistema de codificação que nos estava a ocultar estes sinais". Ou seja, esta descoberta poderá ser tão importante para inverter o curso da nossa eterna batalha contra os vírus, quanto o foi decifrar as máquinas de codificação utilizadas pelos nazis na Segunda Guerra Mundial.

Os vírus a que nos referimos, os de ARN com filamento único, constituem o tipo mais simples e foram provavelmente os que mais cedo evoluíram. Contudo, mantêm-se entre as infeções patogénicas mais potentes e nocivas. Os rinovírus, que provocam as constipações, são responsáveis por mais infeções anualmente do que todos os outros agentes infeciosos juntos. Outros vírus deste tipo incluem o da hepatite C, da SIDA, da poliomielite e o norovírus da gastroenterite.

Na posse destes preciosos dados e de modelos computacionais, o próximo passo da investigação irá alargar o âmbito de estudo aos vírus de animais. Os investigadores acreditam que os novos recursos à sua disposição abrem novos caminhos para a descoberta e o desenvolvimento de medicamentos.