O Burger King vai retirar os refrigerantes dos menus infantis, nos Estados Unidos. A cadeia de "fast food" segue os passos dos seus principais rivais, apostando agora em bebidas saudáveis para as crianças. As bebidas gaseificadas vão desaparecer, no âmbito de uma nova orientação, a implementar por todos os franchisados em território norte-americano. Não existe ainda reacção oficial por parte do Burger King em Portugal quanto à adopção de uma política semelhante.

O presidente do Burger King América do Norte, Alex Macedo, assinou um comunicado onde informou que se trata de um "esforço no sentido de oferecer aos clientes da marca opções que vão ao encontro das suas necessidades de estilo de vida." Os refrigerantes continuarão a ser uma opção para os adultos, mas deixam de aparecer listados no menu infantil da marca. Naturalmente, o Burger King não vai impedir os pais de comprar refrigerantes para os seus filhos; nesse caso, bastará comprar a bebida em separado do menu para crianças. O menu infantil vai incluir leite, leite com chocolate, sumo de maçã e água.

O Center for Sciente in the Public Interest, um movimento de defesa dos direitos do consumidor norte-americano, aplaudiu a decisão, que classificou como um "passo realmente importante" no combate à obesidade infantil. A directora, Margo Wootan, afirmou que será assim mais fácil para os pais evitar "o hábito de consumir refrigerantes à refeição." A McDonald's já havia tomado esta decisão em 2013, e outro gigante do fast food nos Estados Unidos, a Wendy's (sem expressão na Europa) tomou também decisão idêntica.

Estima-se que a percentagem de crianças obesas nos Estados Unidos tenha aumentado de 7% em 1980 para cerca de 18% em 2012, considerada a faixa etária entre os 6 e os 11 anos. Na faixa etária dos adolescentes, entre os 12 e os 19 anos, os números são mais alarmantes, tendo crescido de 5% para 21% no mesmo período. A obesidade, com raízes no sedentarismo, na alimentação desequilibrada e outras razões culturais, tomou proporções de epidemia nos Estados Unidos, com as autoridades de saúde e a sociedade civil a mobilizarem-se progressivamente para conter o fenómeno.