A Câmara de Comércio Luso-Belga-Luxemburguesa, para responder aos desafios subjacentes ao tema, reuniu associações, representantes da administração nacional da Saúde em Portugal, da Santa Casa de Misericórdia de Lisboa, bem como de outras instituições direcionadas para o apoio dos doentes, utentes e suas famílias, organizando o seminário: Saúde, Cuidados Domiciliários e Cuidados Paliativos - Organização, Meios, Custos, Tendências, que decorreu no princípio de Março, em Lisboa.

Pedro Pinto, presidente da Câmara de Comércio Luso-Belga-Luxemburguesa, descreveu as apresentações como um ponto de partida para dar a conhecer as experiências das instituições e das equipas de profissionais que tornam possível acompanhar os casos de prestação de cuidados domiciliários, ajudando a decidir como atuar com dignidade e em conjunto com médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, de modo a evitar que a família também adoeça em conjunto com o doente.

Fernando Regateiro, presidente do Conselho para a Cooperação da Associação Portuguesa de Engenharia e Gestão da Saúde (APEGSaúde) resumiu as ideias e destacou que "um dos grandes entraves é a ausência de médicos de família, que deveriam ser atribuídos pelo Serviço Nacional de Saúde a todos os utentes. Não se concebe que em Portugal a gestão da saúde e dos episódios das doenças seja feita nas urgências dos hospitais, devido à falta de médicos de Clínica Geral", salientou. Por outro lado, "há ainda pouca informação em saúde - não está direcionada para o utente da mesma e nem os profissionais de saúde estão sensibilizados para tal. É urgente intervir - formando e trocando experiências no terreno", concretizou Fernando Regateiro.

Manuel Capelas, presidente da Associação de Cuidados Paliativos, declarou que "não nos podemos esquecer que existem patologias, como as demências e as doenças neuro degenerativas, que não são contempladas nos cuidados paliativos, mas que existem cada vez mais. Uma rede de médicos de clínica geral, como retaguarda e com liberdade de atuação em termos de apoio domiciliário, não resolvia o problema mas poderia ser parte da solução".

Outra questão focada foi também a diminuição gradual do ratio de médicos/enfermeiros por doentes ou utentes. Nesta área em que cada vez mais se tenta humanizar a relação, deve-se realçar a formação de profissionais de saúde e outros, apostando na empatia e na solidariedade que são valores indispensáveis nos cuidados domiciliários. "Muitas pessoas preferem morrer em casa, junto das suas famílias e essa pode ser a última oportunidade de se despedir e fazer o luto", referiu Paula Caetano, diretora técnica da Humanize - Cuidados de Saúde.

A mesa redonda, o debate e o almoço que se seguiu, organizado pelo Governo Federal Belga e das três Regiões Belgas, com a colaboração da APEGSaúde, da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Francesa e da Câmara de Comércio Luso-Finlandesa, contaram ainda com a participação e intervenção de Santana Lopes, provedor da SCML, que se disponibilizou para reunir separadamente ou em conjunto com todos os intervenientes, a fim de tentar solucionar alguns dos problemas existentes na região de Lisboa e promover novas pontes de colaboração e entendimento sobre este tema.