Doze hospitais públicos (ou grupos hospitalares) foram escolhidos, mediante concurso público, para integrar o programa nacional "STOP Infecção Hospitalar", assumido pela Fundação Calouste Gulbenkian. Este programa foi um dos Desafios Gulbenkian definidos, em Setembro do ano passado, no Relatório "Um Futuro para a Saúde - todos temos um papel a desempenhar", e visa uma redução da incidência de infecções hospitalares para metade. A Fundação Calouste Gulbenkian assina hoje, dia 31 de Março, a parceria de três anos, com os hospitais seleccionados: Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN), Centro Hospitalar Barreiro-Montijo (CHBM), Centro Hospitalar da Cova da Beira (CHCB), Centro Hospitalar Alto Ave (CHAA), Serviço de Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira (SESARAM), Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM), Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO-Porto), Unidade Local de Saúde do Nordeste (ULSNE), Centro Hospitalar de São João (CHSJ), Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA) e Hospital de Braga.

Iniciativas semelhantes foram desenvolvidas na Escócia, Inglaterra e Dinamarca pelo Institute for Healthcare Improvement, parceiro deste projecto.

A necessidade de criar grupos de trabalho e programas de apoio à infecção hospitalar e a problemática da prevalência de resistências a antimicrobianos não são novidade. Razão pela qual foram criado os Grupos de Coordenação do Programa de Prevenção e Controlo da Infecção e Resistência aos Antimicrobianos (GCPPCIRA). De facto, de acordo com Relatório da Direcção Geral de Saúde (DGS), as infecções associadas aos cuidados de saúde dificultam o tratamento adequado do doente e aumentam o risco de morbilidade e mortalidade, bem como o aumento do consumo de recursos hospitalares e comunitários.

Segundo informações da Gulbenkian, Portugal tem uma prevalência de infecções hospitalares acima da média europeia, representando uma despesa de 280 milhões de euros por ano (Relatório Um Futuro para a Saúde). Através da aplicação de um Sistema de Aprendizagem Colaborativa nos Hospitais Públicos, prevê-se uma diminuição da incidência das infecções hospitalares, resultando numa diminuição do tempo de internamento e numa melhoria da qualidade de vida da população.

A higiene das mãos é uma das medidas mais simples e mais efectivas na redução da infecção associada aos cuidados de saúde. A transmissão de microrganismos entre os profissionais e os doentes, e entre doentes através das mãos, é comum. Assim, quanto à população em geral, cabe a todos conhecerem e seguirem as instruções de prevenção da infecção hospitalar, proceder à correcta higiene e desinfecção das mãos nas consultas e nas visitas aos doentes internados em hospitais, clínicas ou lares.