O Governo, através da Direção Geral de Saúde (DGS), gastou cerca de 74 mil euros em publicidade contra o fumo invisível dos cigarros e os seus efeitos nocivos na saúde das crianças. A decisão surge numa altura em que os responsáveis governativos estão a pensar se devem pagar a quem deixe de fumar. A campanha publicitária vai espalhar-se pelos vários meios de comunicação social, incluindo anúncios em jornais, spots na rádio e vídeos na #Televisão. Isto sem esquecer os cartazes.

A acompanhar a publicidade está o slogan: "quando alguém fuma, todos fumam". Para explicar melhor a ideia, aparece uma segunda mensagem forte: "80% do fumo do cigarro é invisível". Seja na imprensa ou nos cartazes, a ideia gráfica foi conseguida, colocando de costas voltadas duas personagens. Do lado esquerdo, aparece um pai, mãe ou avô a fumar um cigarro sem fumo. Do lado direito, uma criança deita fora o fumo que inalou pela boca e nariz. O pequeno texto que se segue destaca os "7.000 químicos do fumo do tabaco", que se espalham no ar sem que ninguém dê por isso, alertando para os riscos de saúde (infeções respiratórias, asma, morte súbita do lactente, entre outros) e terminando com um apelo: "nunca fume em locais fechados".

Existem dois spots pensados para a rádio, com cerca de 30 segundos cada um. Num, um conjunto de alunos da escola primária entoa em coro a conjugação, no presente do indicativo, do verbo fumar: "Eu fumo, Tu fumas, Ele fuma...". Depois lança a estatística de que uma em cada três crianças em Portugal está exposta ao fumo passivo, em casa ou no carro, e que isso as pode sujeitar a "doenças crónicas na vida adulta". "Não ofereça este futuro ao seu filho", diz o locutor acompanhado de um som de percussão que sugere alguma tensão e suspense. O segundo anúncio radiofónico aposta no humor quando uma criança diz ao pai que o "Zézinho" lhe disse que o carro cheira mal. O pai responde começando a elencar a longa lista dos sete mil químicos presentes no fumo do cigarro: "Não filho, não é mal, cheira é a nicotina, a metanol, a DDT, a arsénico..."

Os anúncios de televisão seguem a mesma lógica. Um mostra um bebé a exalar fumo, enquanto se ouve o som ambiente de adultos a rir e a conversar dentro de casa. Outro mostra o reflexo, num espelho lateral, de uma criança no banco de trás de um carro a abrir a boca, de onde sai fumo de tabaco, mesmo com uma janela aberta e o cigarro empunhado do lado de fora.