A 4 de fevereiro de 2015, a Comissão Parlamentar da Saúde reuniu-se para discutir os assuntos urgentes desta área quando José Carlos Saldanha, doente hepático há 19 anos e à espera de tratamento para a hepatite C, decidiu intervir na Comissão dizendo "Não me deixem morrer também". Este "também" seria referente a uma doente que já havia falecido. Pouco tempo depois, a 17 de fevereiro, o Ministério da Saúde e a farmacêutica Gilead assinaram e formalizaram o acordo que o ministro da saúde, Paulo Macedo, afirmou poder ser o caminho para "erradicar a doença" em Portugal. Os medicamentos começaram a ser distribuídos e apresentam, até agora, 44 doentes curados, os primeiros a fazer o tratamento desde que o mesmo começou a ser distribuído em Portugal, com comparticipação a 100% por parte do Estado.

Atualmente, existe um portal dirigido pelo Infarmed - Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento, no qual os doentes são registados e onde se dá todo o processo de pedido dos medicamentos até à sua disponibilização. Paulo Macedo acordou com a farmacêutica (que disponibiliza o medicamento) que o fármaco só é pago se o doente ficar curado. O laboratório é obrigado a disponibilizar um novo tratamento no caso do inicialmente aplicado não resultar. Segundo o Infarmed, desde que o procedimento começou a ser usado, já foram autorizados 1886 tratamentos.

Em caso de dúvida acerca da doença, já existe criada uma missão chamada "SOS Hepatite", para apoio dos doentes e das suas famílias e também para consciencializar a população acerca desta problemática. A instituição explora os mitos e os factos acerca da doença, bem como as particularidades de cada tipo de hepatite.

A Hepatite C é uma doença que afeta cerca de 500 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo o Fundo Mundial para a Hepatite da Organização das Nações Unidas. Em Portugal, são cerca de 13 mil as pessoas afetadas. Trata-se de um problema viral que causa inflamação no fígado. O mesmo pode ser transmitido através de contacto com sangue contaminado e por contacto sexual. Em cerca de 5% dos casos acontece também a transmissão direta de mãe para filho.