O acto de meditar não é algo de novo. Na verdade, é uma prática milenar. Mas com a crescente abertura do ocidente a filosofias ancestrais no seguimento do movimento new age, instituiu-se como uma prática cada vez mais comum, não sendo necessário seguir qualquer tipo de orientação religiosa, embora cada uma delas tenha os seus próprios procedimentos de meditação. No hinduísmo temos a tradição ayurveda que incorpora a meditação em conjugação com ioga, enquanto no budismo, a prática da meditação é fundamental.

Por sua vez, o cristianismo emprega formas de meditação na forma de orar e o judaísmo tem práticas também milenares: a meditação aparece de duas formas no Antigo Testamento, "hagâ" e "sîhâ". No islamismo, a meditação é fundamental, já que o próprio profeta Maomé passou longos períodos em meditação. Até no Antigo Egipto encontramos exemplos de como a meditação fazia parte das suas tradições - o Faraó, é tradicionalmente apresentado como estando sentado na chamada "postura do trono", que é uma posição usada com frequência na meditação profunda.

A meditação consiste na concentração do indivíduo num pensamento, objecto ou som, com o objectivo de tranquilizar e clarificar a mente para que se consiga atingir um estado de paz que o leve a relaxamento profundo ou até mesmo a um estado de consciência mais espiritual. Para todos nós que vivemos em sociedades profundamente urbanas e cheias de stress, é-nos complicado controlar os nossos próprios pensamentos, parecendo, na maior parte das vezes, que a nossa mente tem vontade própria e que somos comandados por ela em vez de se verificar o inverso. O que a meditação faz é permitir que nos libertemos desse controlo, dando-nos paz e tranquilidade para que consigamos limpar a nossa mente de todo e qualquer pensamento ou pelo menos mantermos toda a nossa atenção fixa numa só coisa.

Para que seja mais perceptível, este processo é para a mente como o desfragmentar do disco para um computador, uma forma de organização interna da informação para que o sistema fique mais rápido, ágil e eficiente, o que no nosso caso significa poder pensar com mais clareza, sem "barulho mental", estando mais alerta das nossas emoções e da nossa mente e sendo mais fácil atingir o equilíbrio. O efeito que a meditação tem sobre o ser humano, não se resume apenas ao atrás citado, sendo esse apenas o principal. Mas influencia também muitas outras condições, seja problemas de ordem imunitária, doenças crónicas (como tensão arterial alta e problemas cardíacos) ou doenças relacionadas com química cerebral e stress. Cada vez mais o sistema de saúde ocidental reconhece a meditação como uma fonte de ajuda na redução do stress e da dor.