Um gesto tão simples como abrir uma garrafa de sumo para o seu filho pode mudar a vida de uma pessoa. Foi o que aconteceu com Lisa Epsom em Setembro de 2013, quando estava em casa com os seus filhos, Tiffany e Maison. Ao abrir uma garrafa de sumo teve de o fazer com a boca e foi então que partiu um dente, mas nem estranhou uma vez que os seus dentes, desde a gravidez, começaram a ficar demasiado fracos. Tendo em conta o acontecimento, a mulher pensou que bastaria uma ida rotineira ao médico dentista, que marcou para três semanas depois, para solucionar este problema.

Contudo, Lisa descobriu bem mais do que um dente partido. Mas o mau pressentimento já existia, tal como contou Lisa: "costumava fumar quando era mais nova, sabia que era cancro". A mulher de 34 anos de idade tinha um cancro na boca, sendo informada de que se não tivesse consultado um médico, acabaria por falecer nas semanas seguintes. A história desta mulher tem sido assunto nas redes sociais, tornando-se, tal como é natural, viral.

Depois do diagnóstico, Lisa foi submetida a uma operação de 14 horas de duração mas não se cansa de dizer que aquela garrafa de sumo que tanto lhe custou abrir acabou por lhe salvar a vida, acrescentando que não estaria neste mundo se não tivesse decidido abri-la com os dentes. Uma vez que se tratou de uma operação feita de urgência, a mulher ficou totalmente desfigurada mas o facto de ter perdido a sua aparência só faz com que se lembre recorrentemente que está viva e que não lhe foi tirada a oportunidade de ver os filhos a crescerem, acrescentando ser "um pequeno preço a pagar".

Nunca tendo ouvido falar desta doença, Lisa Epsom quer que as outras pessoas sejam mais conscientes acerca do cancro da boca. Este tipo de tumores está geralmente associado a índices de mortalidade muito elevados, em grande parte devido ao seu diagnóstico tardio. Há um grande número de novos casos por ano e, mesmo tendo presente a indiscutível melhoria dos métodos terapêuticos disponíveis, a taxa de sobrevida continua aquém do esperado. Dos factores de risco mais relevantes, destacam-se o tabaco, o álcool e as situações de pré-cancro oral, como eritroplasia, líquen plano ou leucoplasia. A luta contra esta patologia, que parece registar pouco êxito e eficácia, passará, por isso, por uma maior divulgação sobre a informação relativa a este grave doença, por uma redução dos hábitos acima mencionados e pela ida com frequência a consultas de saúde oral.