Stress, ansiedade, nervosismo, fome ou tédio são as razões mais apontadas para roer as unhas. Um novo estudo, realizado por investigadores da Universidade de Montreal, Canadá, apresenta agora a possibilidade de poder ser um sinal de perfeccionismo. Foi esta a conclusão publicada no "Journal of Habits Treatment and Experimental Psychiatry". Onicofagia é o termo técnico utilizado para roer as unhas, mal do qual sofrem muitas pessoas e que até agora esteve associado a fases de stress, ansiedade ou até mesmo a contextos de aborrecimento, por exemplo.

Depois de um estudo que pegou em 48 participantes (sendo que metade rói as unhas e a outra metade não) e os colocou em diferentes ambientes - de stress a aborrecimento, a frustração e relaxamento - e analisou depois as suas atitudes, os investigadores concluíram que possivelmente tudo não passa de uma tentativa de alcançar a perfeição, que quando não está a ser atingida faz com que o ser humano se sinta frustrado e oriente o seu empenho para a onicofagia. Por ser uma forma de descarregar energia em busca da tal excelência, que assume a forma de uma unha roída na perfeição.

Kieron O'Connor, professor de psiquiatria e o líder da equipa que realizou o estudo, fortaleceu a ideia: "Acreditamos que os indivíduos que apresentem este tipo de comportamento são, provavelmente, perfeccionistas". E falou de hábitos como roer as unhas, mas também arrancar fios de cabelos, como gestos temporários bastantes frequentes entre estas pessoas. Característica de personalidade que os investigadores avisam ser bem mais preocupante do que é comum pensar. Por causa disso, Kieron O'Connor apresenta soluções para estes hábitos,: como terapia comportamental que obrigue à mudança da rotina ou técnicas que se foquem nas razões subjacentes ao crescimento da frustração sentida por pessoas perfeccionistas.

Roer as unhas é também hábito tido como possível indicador de desequilíbrios emocionais, ou mesmo mentais, sendo que é uma prática que pode começar por volta dos quatro, cinco anos de idade. É considerado um mau hábito, por motivos de saúde principalmente; o transporte de germes ou, focando a higiene bucal, o desgaste do esmalte dos dentes incisivos que pode levar à criação de cáries. Mas um roedor de unhas compulsivo pode acabar também por ver a sua capacidade para desempenhar certas actividades limitada (actividades como escrever, desenhar ou tocar instrumentos de corda), devido aos estragos feitos às unhas ou à pele em volta. Para não falar das questões estéticas, para as mulheres.