A pílula tornou-se o símbolo da revolução sexual nos anos 60 e 70. Através da sua toma como método contraceptivo a mulher ganha um novo poder de decisão sobre o seu próprio corpo. No entanto, nos últimos anos têm sido cada vez mais reportados os casos em que as pílulas orais contraceptivas podem provocar coágulos sanguíneos, levando à morte. Segundo cientistas ingleses as pílulas Yasmin, Femodene e Marvelon são consideradas as mais perigosas, sendo a causa de 14 mortes em França no ano de 2013. Mais recentemente, a morte repentina de Carolina Tendon (por embolia pulmonar) foi também atribuída à toma da pílula Yasmin.

Agora, chega um novo estudo que comprova que a pílula tem de facto consequências no corpo e na fisionomia do cérebro da utilizadora. O estudo, realizado pela Universidade da Califórnia e publicado no jornal Human Brain Mapping (Mapeamento do Cérebro Humano), testou e comprovou a hipótese de o uso da pílula oral contraceptiva estar associada a alterações na estrutura do cérebro. Este estudo foi realizado com a colaboração de 90 mulheres e com recurso a testes, como a análise da saliva, para analisar a presença de hormonas e imagens cerebrais de modo a comprovar uma possível mudança estrutural do cérebro.

O estudo concluiu que as mulheres que tomam contraceptivos orais apresentam uma menor espessura cortical, demonstrado pelo encolhimento do cérebro, devido às hormonas sintéticas presentes nestes contraceptivos, como a progesterona e estrogénio sintéticos. Este estudo aponta assim para alterações nas regiões do cérebro responsáveis pelo controlo de emoções e pela capacidade de tomada de decisões. Por exemplo, mulheres que tomam a pílula demonstraram mais problemas ao nível de memória, a considerar cenários hipotéticos e imaginar acontecimentos futuros.

Já eram conhecidos vários efeitos secundários da pílula, nomeadamente as mudanças de humor e de peso. No entanto, nos últimos tempos, têm-se tornado públicos efeitos mais graves. Desta forma, são muitos os riscos associados à toma do contraceptivo oral não devendo este ser tomado como forma de prevenção do acne ou das dores menstruais. São muitas as mulheres que tomam a pílula sem qualquer recomendação médica.

Teresa Bombas, presidente da Sociedade Portuguesa de Contracepção (SPC) alerta que "não há um contraceptivo para todas as mulheres, mas várias mulheres para vários contraceptivos". Sendo que "a população está cada vez mais obesa, há cada vez mais consumo de cigarros, uma série de factores de risco que é preciso considerar a longo prazo". A médica acrescenta que "há mulheres que começaram a tomar a pílula aos 20 anos, mas entretanto esqueceram-se que nos últimos dez anos não foram ao médico, que aumentaram 20 quilos e passaram a fumar 20 cigarros". No entanto, Teresa Bombas considera ser seguro a toma da pílula tendo em conta que as mulheres o façam com "um acompanhamento regular e sob vigilância médica". O aconselhamento médico é sempre fundamental.